Menos emoção, mais razão

Comissão técnica e psicóloga tentam fazer com que os jogadores controlem melhor seus sentimentos

 
Felipão se reuniu na noite de segunda-feira com seus jogadores na Granja Comary para pedir a todos eles que parassem de chorar e controlassem melhor seus sentimentos. Essa foi a proposta também para chamar novamente a psicóloga Regina Brandão. O resultado já pôde ser visto nesta terça nas declarações de dois jogadores do Brasil, o goleiro reserva Victor e o volante Ramires. Ambos se valeram do discurso de que o País todo está dando muito destaque para a emoção sentida e mostrada pelos atletas na batalha contra o Chile, sobretudo antes das cobranças de pênaltis.

Felipão disse aos jogadores que toda a intensidade daquela partida deve ser esquecida. A comissão técnica não quer que o elenco leve a experiência para o jogo com os colombianos, sexta, no Castelão, sob a condição de que isso pode prejudicar o rendimento dos jogadores. A presença da psicóloga também é para "ensinar" aos jogadores que emoções vividas devem ficar guardadas na memória e lembradas eventualmente, com conotação positiva. Felipão e Regina tentam tirar a ansiedade do grupo.

"Na verdade, a visita de hoje (terça) faz parte do nosso planejamento inicial. Eu estava dando aulas na universidade, indo e voltando. Não podia ficar aqui o tempo todo. Também tinha o meu consultório. Agora estou de férias. Como já tínhamos planejado, fico aqui agora e volto semana que vem", disse a psicóloga, em entrevista à CBF TV.

"Não vejo essa emoção toda como um peso para a Seleção. Estamos vivendo essa Copa intensamente, e alguns se emocionam um pouco mais que outros, choram mais. Mas o exemplo do Julio Cesar é bacana, porque ele chorou antes dos pênaltis e fez o que fez (duas defesas na disputa)", disse o goleiro Victor.

Conduta padrão
Ramires andou pelo mesmo caminho. Essa será uma conduta padrão do Brasil. Após o almoço desta terça-feira, antes do treino da tarde, todos os jogadores, com os membros da comissão técnica, se reuniram com Regina Brandão. Haverá outros encontros, inclusive individuais. A intenção é fortalecer emocionalmente a todos, e dar de ombros para a importância que os brasileiros deram para isso após as imagens vistas no Mineirão. Vão encerrar o assunto.

"Houve sim uma emoção diferente naquele jogo, pela forma com que foi, a bola na trave na prorrogação, os pênaltis, o apoio do torcedor no estádio e os 200 milhões de brasileiros com a gente. Já vi jogadores mais experientes na Liga dos Campeões chorando da mesma forma. Não vejo problemas. Vamos administrar esse sentimento, estamos até sabendo fazer isso, para poder continuar jogando bem a Copa. Se vier outra prorrogação ou disputa de pênaltis, estaremos preparados", assegurou o meio-campo do Chelsea.

Thiago Silva conta com atenção especial
O capitão Thiago Silva começou a mostrar, ontem, que está recuperado do abalo emocional que sofreu na partida contra o Chile, no último sábado, em Belo Horizonte. Sentado sobre a bola momentos antes das cobranças de pênaltis, o zagueiro desabou em prantos, nervoso e sensível que estava, quando se esperava dele uma reação mais positiva diante dos companheiros, a exemplo do que fez Paulinho.

O volante, que perdeu posição para Fernandinho após a fase de grupos da Copa do Mundo, assumiu o papel do capitão e incentivou a todos em uma roda no meio de campo do Mineirão. Nem Felipão ousou interromper a sua fala naquele momento.

Thiago Silva faz uma excelente Copa, é um dos melhores zagueiros da competição, mas "perdeu" a sua condição de líder diante dos brasileiros. Sua liderança a partir de agora passa a ser apenas técnica, a não ser que se mostre mais fortalecido emocionalmente até o fim da disputa.

A conclusão da comissão técnica é que esse sentimento à flor da pele de todos, representado no choro do capitão brasileiro, atrapalha o rendimento do time. Felipão e Parreira não negam os problemas técnicos da equipe, mas querem recuperar a cabeça.

Felipão ensaia repetir esquema da Copa de 2002
Sem o volante Luiz Gustavo, suspenso, o técnico Luiz Felipe Scolari analisa as opções que possui no elenco para repor a perda do seu principal marcador, punido automaticamente após receber o segundo cartão amarelo. A Seleção Brasileira entra em campo nesta sexta-feira, na Arena Castelão, diante da Colômbia.

O treinador pode trocar Luiz Gustavo por outro volante, como Paulinho, Ramires e Hernanes, mas admitiu a possibilidade a recorrer a um zagueiro, casos de Dante e Henrique, ao relembrar do esquema tático utilizado durante o Mundial de 2002. Há 12 anos, na vitoriosa campanha da seleção, Felipão utilizou os zagueiros Lúcio, Edmilson e Roque Junior juntos.

"Tenho duas possibilidades: continuo jogando da forma que vinha jogando, com a entrada de outro atleta no setor, ou mudo o sistema todo. E aí posso iniciar como jogava na Copa de 2002, com três zagueiros e liberando mais os laterais", disse Felipão.

O técnico da Seleção, porém, não deu nenhuma dica sobre quem será o substituto de Luiz Gustavo - Paulinho parece ser o favorito para ganhar uma chance - e destacou que os treinos nos dias que antecedem o duelo contra a Colômbia serão decisivos para a definição da escalação do Brasil.

"Vou ver nos dias que antecedem o jogo, ver em quais condições alguns jogadores se reapresentaram, com problemas físicos ou não, quem vai treinar, como se apresentam nos treinos. Aí vamos definir", afirmou.

Reconhecimento
Já pensando no duelo contra a Colômbia, Felipão fez elogios ao meia James Rodríguez, artilheiro da Copa, com cinco gols, mas garantiu que a sua preocupação maior é mesmo com o sistema tático do adversário.
"Não adianta só parar o James, temos que parar toda a sistemática de jogo da Colômbia", comentou o treinador.

Felipão também admitiu que a Seleção ainda não demonstrou todo seu potencial em campo.

Victor fala de terço entregue a Julio Cesar
O terço entregue pelo goleiro Victor a Julio Cesar antes da decisão por pênaltis entre a Seleção Brasileira e a chilena, pelas oitavas de final da Copa do Mundo, é o mesmo que ele carregou consigo nos jogos da Copa Libertadores de 2013, quando foi um dos destaques e ajudou decisivamente o Atlético Mineiro a conquistar o título. O goleiro fez essa revelação ontem, em entrevista na Granja Comary, em Teresópolis.

"Não foi nada premeditado. Não tenho o costume de levar meu terço para dentro de campo, foi algo que decidi no vestiário. E naquele momento me veio o 'insight' de entregar para o Julio. Mas não se pode deixar de enfatizar as qualidades do Julio", salientou Victor.

Ele revelou ser religioso e que procura reforçar o seu "lado espiritual" antes de cada partida. "A fé nos dá força, suporte", disse. Depois da partida, Victor recebeu o terço de volta.

Victor considera que o jogo contra o Chile foi um divisor de águas para a Seleção. Para ele, a classificação dramática vai deixar o grupo mais forte e preparado para as próximas partidas.

Neymar não treina no campo
Os titulares da equipe do técnico Luiz Felipe Scolari, ontem, ficaram na academia, trabalhando fisicamente, enquanto os reservas fizeram jogo-treino contra o time sub-20 do Fluminense.

Neymar continuou fazendo tratamento na coxa esquerda e joelho direito, ambos machucados após pancadas recebidas na vitória sobre o Chile, sábado, 28, em Belo Horizonte/MG.

O camisa 10 desceu ao gramado só para acompanhar parte do treino dos suplentes. Ele não mancava, como na chegada a Teresópolis após a folga, na segunda, 30, mas tinha uma atadura protegendo o joelho direito.

Outros titulares também acompanharam o treino sentados no banco, depois de trabalharem na academia.
Os reservas jogaram com Victor; Maicon, Dante, Henrique e Maxwell; Paulinho, Hernanes, Ramires e Willian; Bernard e Jô.

Felipão acompanhou parte do trabalho dentro de campo, e o segundo período do banco, ao lado de Carlos Alberto Parreira. Ao contrário dos coletivos que realiza, ele não paralisava a partida para arrumar o posicionamento dos jogadores.

Mudanças
Sem trabalhar com os titulares em campo, apenas, hoje, 2, se conhecerá as mudanças que Felipão deve promover no time para pegar a Colômbia, 6ª feira, em Fortaleza, às17h, pelas quartas de final da Copa do Mundo.

Daniel Alves pode perder a vaga para Maicon e há dúvida sobre o substituto de Luiz Gustavo, que está suspenso.

Paulinho, Hernanes, Ramires e até Henrique disputam a vaga de Luiz Gustavo.

Fonte: Diário do Nordeste