Deputado acusa Carmelo Neto de usar falso assessor da presidência da Alece em fiscalização de obra

Caso teria ocorrido em construção de creche de Maranguape. Carmelo rebate e fala em 'perseguição'. 

 

Fotos de João Jaime em discurso na tribuna da Alece e Carmelo Neto durante visita à obra em Maranguape.
Legenda: João Jaime acusou Carmelo Neto de usar assessor falso da presidência da Alece para ter acesso à obra em Maranguape. Foto: Júnior Pio/Alece | Reprodução/Redes sociais.

 

O deputado estadual Carmelo Neto (PL) é acusado de usar um assessor próprio como representante da presidência da Assembleia Legislativa do Ceará (Alece), durante uma fiscalização da obra de uma creche em Maranguape, na Região Metropolitana de Fortaleza. A denúncia foi apresentada pelo também parlamentar João Jaime (PV), durante discurso no Plenário 13 de Maio, nesta terça-feira (12).

Na semana passada, Carmelo Neto publicou vídeos acusando a Prefeitura de Maranguape de ter “abandonado” a construção de uma creche na cidade, iniciada em 2014, mas ainda não concluída. Segundo o parlamentar, não havia trabalhadores no local durante dois momentos de fiscalização. 

Por sua vez, o prefeito Átila Câmara (PSB) defendeu que a obra está em andamento. “Essa é uma obra com recurso federal que passou a maior parte do tempo parado no governo do presidente dele, do Bolsonaro, que não teve competência para acelerar as obras da educação. E ele veio aqui espalhar fake news, dizer que a obra estava parada. Veio no horário que não tinha ninguém para poder lacrar na internet”, rebateu o gestor. 

Aliado do gestor da cidade, João Jaime acusa Carmelo Neto de usar um assessor em nome da presidência da Alece para ter acesso à obra. O episódio está documentado em um boletim de ocorrência (BO) feito pelo sócio da empresa responsável pelo projeto, na última sexta-feira (8).

“Eu já verifiquei, realmente, ele (assessor) faz parte dos quadros de assessoria da Assembleia Legislativa, mas não do presidente. Comuniquei o fato ao presidente, assim que tomei conhecimento e vou tomar as providências. Quais? Denunciar à Ouvidoria da Assembleia Legislativa, denunciar ao Conselho de Ética, para que fatos como esse não aconteçam mais”

Em resposta, Carmelo Neto informou que vai acionar o deputado João Jaime no Conselho de Ética da Alece, devido ao "pronunciamento calunioso” na tribuna.

“Eu mesmo vou acioná-lo no Conselho de Ética para que o senhor (João Jaime) prove cada acusação que fez. E o meu assessor, citado pelo senhor, vai processá-lo por denúncia caluniosa e falsa imputação de crime”, afirmou Carmelo Neto, em vídeo publicado nas redes sociais. 

DENÚNCIA DE JOÃO JAIME

Segundo o BO divulgado por João Jaime, o responsável pela construção recebeu a visita de Miguel Ângelo, identificado como assessor do presidente da Assembleia Legislativa do Estado, o deputado Romeu Aldigueri (PSB), em 5 de maio. 

Na mesma data, após a saída dos funcionários, Carmelo Neto teria entrado no local sem autorização, forçando o portão para gravar vídeos e criticar a execução do projeto, ainda conforme o boletim. 

“Qual é a diferença da pessoa, se você tem boa intenção, de você chegar lá e dizer que, 'olha, eu estou aqui, eu sou assessor do deputado Carmelo Bolsonaro, vim aqui para fiscalizar a obra'. Tranquilo, para que usar falsamente o nome da presidência e um cargo que ele não exerce? Por isso aí eu vejo a gravidade”, criticou João Jaime. 

Ao PontoPoder, a Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (Alece) informa que, até o momento, não recebeu qualquer comunicação oficial relacionado ao caso citado.

A reportagem também acionou o presidente da Alece sobre o caso, via assessoria, mas ainda não recebeu retorno. A matéria será atualizada em caso de resposta. 

O QUE DIZ CARMELO NETO

Carmelo Neto publicou um posicionamento em vídeo nas redes sociais, nesta terça-feira (12). “O dono da construtora acusou um dos meus assessores de ter ido até o local e se identificado como assessor do presidente da Assembleia Legislativa. Uma mentira que terá consequências”, rebateu o parlamentar. 

"E aí surge o deputado João Jaime, aliado do Elmano e do PT no Ceará, votado pelo prefeito de Maranguape que eu denunciei. E ele resolve subir a tribuna da assembleia para comunicar que vai me acionar no conselho de ética com base no BO do dono da construtora que com certeza deve ter passado umas noites sem dormir depois da minha fiscalização"

O deputado classificou, ainda, o caso como “perseguição” e “uma cortina de fumaça para o povo até esquecer que o problema real era a obra parada da creche”, pontuou. 

 

(Diário do Nordeste)