Cientistas
e ambientalistas alertaram em audiência na Câmara dos Deputados para o
risco de extinção dos jumentos no Brasil. Especialistas cobraram a
aprovação do projeto de lei que proíbe o abate desses animais para
consumo, comércio ou exportação em todo o território nacional.
Dados
da organização The Donkey Sanctuary indicam que a população de jumentos
no país caiu de 1,3 milhão na década de 90 para 78 mil em 2025. Se o
ritmo seguir igual, a espécie pode sumir do país até 2030.
O
principal motivo da queda populacional é a venda da pele do animal para
a China e Hong Kong. O insumo serve para fabricar o ejiao, um produto
da medicina tradicional chinesa feito de colágeno. A carne do bicho
também acaba sendo aproveitada na produção de ração.
A
cadeia de abastecimento dos frigoríficos ocorre sem a rastreabilidade
adequada. Os animais são recolhidos em vários estados do Nordeste,
agrupados em fazendas e enviados ao abate. Muitos chegam aos locais sem
histórico sanitário conhecido pelos órgãos oficiais.
A
falta de controle aumenta o risco de disseminação de doenças graves e
contagiosas. Veterinários relatam que já foram identificados casos de
anemia infecciosa equina e mormo nos rebanhos. Os abates ocorrem em
frigoríficos localizados em municípios do estado da Bahia.
Além
da questão do bem-estar animal, pesquisadores destacam a importância
ecológica do jumento na Caatinga. O animal auxilia no controle de
espécies invasoras, na dispersão de sementes e também na manutenção do
equilíbrio ecológico de toda a região semiárida.
O
projeto de lei que proíbe o abate aguarda votação na Comissão de
Constituição e Justiça da Câmara. O texto já passou por duas comissões,
mas está parado há mais de dois anos. Defensores da proposta afirmam que
a demora na tramitação prejudica a preservação.
Via portal Pleno News
