Em uma cela que abriga 13 presos, quatro já apresentam sintomas da doença. Não houve isolamento nem oferta de vacina contra a catapora, apenas de remédios para controle de sintomas
Na cela de seis metros quadrados, quatro dos 13 detentos estão com sintomas avançados de catapora
No
xadrez de seis metros quadrados, quatro dos 13 detentos estão com
sintomas avançados de catapora. A única ventilação no espaço é
proporcionada por um ventilador do lado de fora da grade. Além disso, um
vazamento do vaso sanitário se espalha pelo chão. O surto de catapora
acontece no 29º Distrito Policial (DP), em Pajuçara, Maracanaú, porém,
não houve isolamento das pessoas infectadas e a insalubridade atinge
também os policiais civis.
“Há
uma semana, um preso estava com manchas e o Samu (Serviço de
Atendimento Médico de Urgência) veio e disse que era intoxicação. Quando
cheguei para trabalhar, na segunda-feira (12), ele se queixou de dor de
cabeça e febre”, contou o inspetor Peri Guari, policial civil há 20
anos. O problema de saúde do preso Diego Nascimento Silva, detido por
obstrução à Lei Maria da Penha, entretanto, era catapora e foi
transmitida para os outros presos.
De
acordo com o inspetor, Diego chegou a ser levado ao Hospital e
Sanatório Penal Otávio Lobo, em Itaitinga, mas a instituição não trata
detentos com doenças infecciosas. “Aí ele voltou e, ontem, tivemos a
ordem de não receber mais nenhum preso”, disse o inspetor. Nenhuma
vacina preventiva foi destinada aos outros 12 presos, apenas o
medicamento aciclovir chegou à delegacia. “Mandaram dar cinco vezes por
dia durante sete dias. Eu nem chego lá perto, porque nunca tive essa
doença”, acrescentou Peri.
Xadrez
é irregularA situação irregular da existência de xadrezes em delegacia
já rendeu ordens judiciais ao Governo do Estado para remoção de presos,
ações civis públicas movidas pelo Ministério Público e debates entre
órgãos de defesa dos direitos humanos. O vice-presidente da Coordenação
Nacional do Sistema Carcerário da Organização dos Advogados do Brasil
(OAB-CE), Márcio Vitor Meyer de Albuquerque, ressaltou que a situação
desafia a Lei de Execução Penal, que prevê a permanência de pessoas em
xadrezes apenas durante a lavratura do auto de infração.
“Os
presos doentes que estão em Pajuçara, bem como em outras unidades
policiais, devem ser transferidos para hospitais que tenham tratamento
adequado para esse tipo de moléstia, acompanhados de escolta. Os presos
infectados não podem permanecer na delegacia sob pena de haver risco
para a sua própria vida, além dos policiais que ali trabalham”, afirmou
Vitor Meyer.
Através
de nota, a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS)
informou que os presos estão sendo tratados na própria delegacia, onde
são acompanhados por uma equipe médica do posto de saúde do município de
Maracanaú. A nota ressaltou que os presos que chegam ao referido
distrito policial são transferidos para outras unidades policiais.
“Informamos ainda que o caso já foi devidamente comunicado à Secretária
da Justiça (Sejus) para que os mesmos sejam transferidos para unidades
prisionais que possuam ambulatórios”, informava a nota.
Saiba mais
A
Secretaria da Justiça e Cidadania do Estado do Ceará (Sejus) informou,
por meio de nota, que já respondeu à solicitação da Secretaria da
Segurança e Defesa Social (SSPDS) e que “deve receber ainda esta semana
os internos acometidos pelo vírus da varicela”.
Ainda
conforme as informações da Sejus, em casos graves da doença, a
orientação é que o preso seja mandado com escolta ao Hospital São José,
que trata doenças infecciosas na rede pública de saúde no Ceará.
Para
esclarecimentos, a Sejus acrescentou que, semanalmente, é feita a
transferência de internos mediante encaminhamento centralizado na
Delegacia de Capturas (Decap).
Fonte: O Povo
