Um mês após ser vista pela última vez, o desaparecimento da
corretora de imóveis Daiane Alves Souza, de 43 anos, passou a ser
investigado pelo Grupo de Investigação de Homicídios (GIH).
Daiane não é vista desde o dia 17 de dezembro, quando desceu até o subsolo do prédio onde mora,
na cidade de Caldas Novas, em Goiás. Ela havia ido tentar retomar a
energia elétrica do próprio apartamento. As informações são do O Globo.
Vídeos do circuito interno de segurança mostram o caminho dela no
elevador até o subsolo, mas não é possível ver o que ocorreu no local.
Também não há imagens dela voltando ao elevador ou deixando o prédio.
Segundo a Polícia Civil, o Grupo de Investigação de Homicídios deve
passar a coordenar a força-tarefa criada para realização de diligências,
análises técnicas e outras medidas investigativas.
"A força-tarefa é composta por equipes das delegacias locais, estando
os trabalhos sob a presidência do Delegado Titular do GIH, com atuação
integrada e dedicação às diligências investigativas necessárias ao
completo esclarecimento dos fatos", informou o órgão em nota.
Sumiço repentino
Natural de Uberlândia, Daiane morava em Caldas Novas há dois anos. A
família da corretora de imóveis possui seis apartamentos no prédio onde
ela morava e desapareceu. Ela era responsável por administrá-los.
Um dia antes do desaparecimento, no dia 16 de dezembro, ela tinha
contado para a mãe, Nilse Alves Pontes, que houve um problema na energia
da própria residência de outro imóvel vizinho, também de propriedade da
família.
Ela foi até o subsolo e conseguiu religar a energia dos dois
apartamentos. No dia 17 de dezembro, o problema voltou a acontecer, mas
apenas no apartamento onde Daiane morava. O restante do prédio não teve
problema com falta de energia elétrica.
Por conta do espaço sem luz, Daiane gravou toda a ação, mostrando que
o edifício estava com energia, e chegou a reclamar sobre a situação com
um morador que estava no elevador. A corretora também enviou a gravação
para uma amiga antes de desaparecer.
Vídeos do circuito interno de segurança do prédio mostram que ela
usava uma blusa preta, shorts azul e calçava uma chinela. As imagens
mostram a movimentação de Daiane: primeiro, foi até o porteiro. Na
sequência, desce de elevador ao subsolo.
Não há nenhum registro de Daiane após a chegada no subsolo. O espaço,
conforme detalhes da Polícia Civil de Goiás, só possui uma câmera, mas
com amplitude limitada para gravação.
"Perseguição"
A mãe de Daiane chegou a Caldas Novas no dia 18 de dezembro. Segundo
Nilse, as duas viajariam para Uberlândia para as festividades de Natal.
"No dia 18, quando eu cheguei em Caldas Novas, por volta de 17h, já
estava super preocupada, entrei no apartamento e vi que ela não estava.
Procurei por outros apartamentos nossos no condomínio, preocupada porque
ela não atendia o celular e nada", relatou ela.
Ela relatou ainda que Daiane tinha constantes problemas com o condomínio do prédio, o que Nilse considera uma "perseguição".
Segundo entrevista dela ao UOL, as "desavenças" se acirraram em 2025 e
Daiane entrou com processos contra o condomínio na Justiça de Goiás.
"Mas não acusamos de nada em relação ao acontecido", completou.
Após um mês do desaparecimento de Daiane, Nilse fala sobre a falta de notícias da filha.
"Eu procuro não pensar. Tem momentos em que eu acho que vou desabar,
mas tento não entrar nesse redemoinho e peço que chegue ao final. Todas
essas respostas eu coloquei primeiro nas mãos de Deus e, em segundo
lugar, nas mãos da polícia", disse em entrevista ao O Globo.
(Diário do Nordeste)