Especialistas ouvidos pelo UOL afirmam que a tecnologia para chegar ao planeta vermelho já existe e não é nova. Foi desenvolvida na década de 1970 e existe deste o final do programa Apollo. Fatores de risco, como a separação por estágios do foguete, a alta radiação e as elevadas temperaturas (cerca de 2.200°C) serão testados durante o lançamento da cápsula Orion, juntamente com o foguete Delta 4. A missão não será tripulada e dará duas voltas na órbita da Terra, alcançando 5.800 quilômetros de altitude, o que é 15 vezes mais distante do ponto em que a ISS (Estação Espacial Internacional, sigla em inglês) orbita ao redor do nosso planeta. A Orion voltará à Terra até cinco horas depois do lançamento e cairá no oceano Pacífico, perto do sudoeste de San Diego, na Califórnia, onde será capturada por um navio da Marinha norte-americana.
Para o professor do Observatório do Valongo da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), Gustavo Frederico Porto de Mello, a tentativa vem com um atraso de quase 40 anos. "Já poderíamos ter chegado a Marte com a tecnologia que tínhamos nos anos 1970, que existe deste o final do programa Apollo. O que não houve foi interesse político de manter a exploração espacial iniciada durante a Guerra Fria", afirma.
A
imagem mostra acidentes geográficos arenosos formados pelo vento na
superfície de Marte, também conhecidos como bedforms eólicos. As
ondulações são muito pequenas (possuem menos de 20 metros) e pode ser
observadas apenas em imagens de alta resolução, como nesta foto feita
pela Nasa e divulgada em junho de 2014 Leia mais JPL/University of Arizona/Nasa
Chegar a Marte é importante não apenas para o avanço dos estudos sobre o planeta vermelho, mas também para saber mais sobre a origem e formação do planeta Terra, segundo o astrofísico do IAG (Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas) da USP, Amâncio Friaça. "Marte tem muitas semelhanças com a Terra e entre os planetas do sistema solar é o mais habitável, pois não tem uma temperatura absurdamente baixa, possui uma gravidade razoável, água em estado sólido, dimensões compatíveis e pode ter vida, ou ter abrigado vida no passado. Ir a Marte permitiria ao homem pesquisar sobre a possibilidade de vida lá, de criar uma segunda Terra", afirma.
Para Gustavo Frederico Porto de Mello, Marte é um destino natural para o ser humano. "A Terra se tornará inabitável um dia, vai esquentar e poderá se tornar uma Vênus, porque é isso que acontece com os planetas. Então a humanidade se extinguiria. Por isso, Marte é o nosso próximo destino espacial, pois tem atmosfera, recursos minerais exploráveis e água."
Riscos de uma missão tripulada a Marte
Chegar a Marte não será tarefa fácil. A diferença entre uma viagem à Lua e ao planeta vermelho são gritantes. Para ter uma ideia, Marte está a aproximadamente 500 milhões de quilômetros de distância da Terra, enquanto a Lua fica a 400 mil quilômetros.Uma viagem à Lua, segundo o professor do Observatório do Valongo da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), Gustavo Frederico Porto de Mello, demora três dias. "Um foguete vai e volta em uma semana", explica. No caso de Marte, seriam seis meses de viagem de ida, um ano de missão no planeta e mais seis meses de retorno à Terra. "Além disso, o astronauta que for a Marte precisa estar bem preparado para enfrentar situações adversas, pois não há possibilidade de contato rápido com a Terra, como acontece na Lua. Ele precisará ter autonomia, suporte de vida independente, que não é necessária em uma viagem a Lua", diz.
Ainda sobre os riscos da missão, o astrofísico da USP, Amâncio Friaça, afirma que a radiação é um risco à vida da tripulação. "Numa viagem para Marte, o astronauta receberia uma quantidade de radiação maior do que a recomendada para um homem durante toda a sua vida. Isso é muito tempo em um ambiente com forte radiação", diz.
Apesar de ser lançada pelo Delta 4, a cápsula Orion deverá ser aparelhada ao SLS (Sistema de Lançamento Espacial), um foguete mais adequado para a exploração do sistema solar, que ainda está sendo desenvolvido pela Nasa e deve ser testado em missões futuras.
Fonte: Uol Notícias


