Ele abordava meninas dizendo ter banda e as 'iniciava' em seita, diz polícia.
Vítimas, de 13 a 17 anos, passavam por rituais e bebiam sangue de animais.
Diego ToledanoDo G1 AM
Homem foi preso no município de Parintins (Foto: Diego Toledano/ G1 AM)
Um homem de 30 anos foi preso nesta semana no município de Parintins, a 369km de Manaus,
suspeito de estuprar 68 meninas com idades entre 13 e 17 anos. Segundo
informações da Polícia Civil, o suspeito alega que atraía as menores
para rituais de magia negra - que chegavam a envolver bebidas feitas com
sangue de animais. Além disso, o homem prometia objetos caros para as
vítimas caso elas dormissem com ele.
"É um caso
completamente bizarro", descreveu o delegado titular do 31° Distrito
Integrado de Polícia (DIP) de Iranduba, Paulo Mavinier, em entrevista
ao G1.
Segundo ele, as investigações foram iniciadas após a diretora de uma
escola municipal de Iranduba entrar em contato com a polícia sobre a
ação de um homem que estaria seduzindo alunas. "A direção dessa escola
nos procurou afirmando que muitas estudantes estavam se vestindo no
estilo gótico e com comportamento inusitado", relatou.
O homem atraía
as meninas, segundo o delegado, afirmando fazer parte de um grupo de
rock. Após conseguir a confiança das menores, ele as levava para a casa
onde morava e revelava que também era líder de uma seita de bruxaria.
"Ele confessa tudo. Diz que fazia parte de uma igreja cristã e que tinha
uma vida tranquila, só que não conseguia formar uma família ao lado de
uma mulher e por isso, disse que resolveu se especializar em magia
negra", contou o Mavinier.
O suspeito,
Renato Fragata, dizia às vítimas que elas precisavam participar de um
ritual para fazer parte da seita, afirma a polícia. O delegado conta que
o processo levava quatro etapas: duelo de orações - em que a oração de
magia negra mais poderosa ganharia -, ingerir sangue de animais, o
homicídio de um inimigo e, por fim, fazer sexo com o suspeito. Caso as
meninas não quisessem realizar os três primeiros passos, Fragata
convencia as vítimas a manterem relações sexuais com ele. "O suspeito
dizia a elas que poderiam evitar os três primeiros estágios se
quisessem, mas que para isso precisariam dormir com ele.
Desta forma, ele estaria passando poderes sobrenaturais a elas", contou o delegado.
Desta forma, ele estaria passando poderes sobrenaturais a elas", contou o delegado.
Segundo o
delegado, o homem estava no município de Iranduba há três meses, período
em que manteve relações sexuais com 18 meninas com idades entre 13 e 17
anos. A situação, porém, é ainda mais grave no município de Parintins,
onde morava no período de 2013 até este ano. A Polícia Civil informou,
por meio de assessoria de imprensa, que o homem se relacionou com 50
menores de idade no município. "Ele chegou a ser preso lá há algum
tempo, mas foi liberado pela Justiça. Não temos informações de quanto
tempo ficou detido", afirmou o delegado.
Ao G1,
Francisco afirmou que as menores de idade eram namoradas dele e que as
relações sexuais com elas foram consensuais. "Elas eram minhas
companheiras. Eu sabia que elas eram jovens porque me contavam a idade
delas. Nunca as obriguei a beber sangue nem nada. Elas eram só minhas
namoradas", declarou. Questionado sobre os rituais e a participação das
supostas vítimas, o homem se negou a falar à imprensa.
A mãe de uma
das vítimas, que preferiu não se identificar, contou que a filha de 13
anos chegou a ir à casa do suspeito, mas que fugiu após perceber a
presença de sinais de magia negra. "Ela me contou que ele se aproximou
dela dizendo que estava formando um grupo de dança de meninas de 13
anos. Ela foi ao encontro dele em uma casa alugada, mas fugiu quando ele
começou a falar sobre rituais satânicos", explicou a mulher.
O homem
responderá por estupro de vulnerável, corrupção de menores e
disseminação de pornografia infantil - já que o suspeito teria postado
fotos íntimas das menores em uma rede social, segundo o delegado.
Francisco será mantido na área carcerária da delegacia de Iranduba, onde
aguardará a decisão da Justiça. "Devo pedir a transferência dele pra
Manaus, mas isso ainda não está decidido. Até segunda ordem, ele será
mantido aqui no interior", contou o titular do 31° DIP.
Fonte: G1
