Projetada para atender a uma população de 500 mil habitantes, a Santa Casa de Sobral atende mais de 1,6 mi
Sobral. Os
hospitais filantrópicos passam por dificuldades neste município. A
Santa Casa de Misericórdia de Sobral atende três vezes a sua capacidade,
e o Hospital Doutor Estevam Ponte anunciou que há risco de encerrar as
atividades no fim deste ano e funciona com atendimento e quadro de
funcionários reduzido. A defasagem da tabela do Sistema Único de Saúde
(SUS) é o principal agravante apontado pelos administradores.
Quem passa pelo
tradicional Hospital Doutor Estevam já encontra uma das entradas
fechada com cadeado e o atendimento sendo feito com quadro reduzido. Ao
ligar para aquela unidade hospitalar, a informação repassada é que o
número de atendimentos também diminuiu.
Desde 2013, o
vereador Estevam Ponte, um dos proprietários do Hospital Doutor Estevam,
alerta o público sobre as dificuldades que a instituição vem passando. A
situação financeira se encontra no limite, segundo o vereador, pois a
tabela de repasse do SUS não é atualizada há sete anos.
Em coletiva na
Câmara dos Vereadores, após uma sessão em novembro, Estevam Ponte
afirmou que graças à compreensão da equipe médica, o hospital se
encontra funcionando, mas que as grandes despesas e dívidas de impostos
atrasados acarretarão na não renovação do convênio com a Prefeitura de
Sobral, que se vence neste mês. Os convênios com a municipalidade só
podem ser firmados caso as empresas apresentem impostos em dia ou
negociados.
Na Santa Casa
de Misericórdia de Sobral, a situação é um pouco melhor, apesar de
preocupante. Planejada para atender a uma população de até 500 mil
habitantes, hoje atende a mais de 1,6 milhões de pessoas, população de
toda a Zona Norte, além de receber pacientes de outras regiões, como
Crateús. A taxa de ocupação mensal é de 100%. Em casos especiais, como a
maternidade, essa taxa pode chegar até a dobrar.
Segundo o atual
diretor geral da Santa Casa, padre Júnior Melo, ao assumir a direção, o
hospital possuía uma dívida de R$ 8 milhões, todas já negociadas. Mas, o
mês ainda fecha com um déficit mensal em torno de R$ 500 mil. "Agora,
temos empréstimos com bancos públicos e federais com parcelas a vencer
no total de R$ 16 milhões, em busca de garantir o melhor atendimento aos
pacientes. Graças à Contratação Portas Abertas, recebemos toda e
qualquer situação de urgência ou emergência".
A política de
Portas Abertas, segundo ele, é o que causa o atraso na fila de cirurgias
eletivas. "Temos uma cirurgia marcada para hoje, por exemplo, mas
acabou de acontecer um acidente que exige a mesma especialidade e é
emergência, então a eletiva é remarcada e a emergência é atendida",
explica.
Atualmente, a
Santa Casa mantém convênios com os governos do Estado, Federal e
Municipal, o que ajuda na manutenção das despesas, além de alguns
empreendimentos, como o Hospital Dom Walfrido, cujo o lucro é mandando
para a Santa Casa. Mas o repasse de verbas como o do SUS é também um dos
principais pontos que prejudicam o hospital. "É quase uma década sem
reajuste. Todo ano há aumento de taxas, produtos e serviços, mas esse
aumento não acontece nos valores repassados", explica o padre.
Diminuir lotação
Para a direção
do Hospital, o que pode melhorar para a Santa Casa e, consequentemente,
para toda a população, será o funcionamento na íntegra do Hospital
Regional Norte, que tem sido aberto ao público por etapas. "Com o HRN
funcionando com 100% de sua capacidade, a Santa Casa poderá se reerguer e
quitar todas as dívidas, que, apesar de não estarem atrasadas, existem.
Com isso, nosso hospital poderá melhorar o atendimento e diminuir a
lotação dos leitos", finaliza padre Júnior.
A Santa Casa é
considerada hospital filantrópico e de caráter regional, com 92% de sua
área instalada a serviço do Sistema Único de Saúde. Além disso, é
Hospital de Ensino certificado pelo MS/MEC, conveniado com as Faculdades
de Enfermagem da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA), Medicina e
Psicologia da Universidade Federal do Ceará (UFC).
Já está em
andamento convênio com as faculdades de Odontologia e Nutrição da
Universidade Federal do Ceará (UFC) instaladas recentemente em Sobral.
Foi tentado contato com a assessoria de imprensa do HRN, mas não houve
retorno.
Jéssyca Marques
Colaboradora
Colaboradora
Fonte: Diário do Nordeste

