Mulher
inspeciona um pé de maconha com uma lente de aumento, durante a "Expo
Cannabis" em um laboratório tecnológico do Uruguai, na capital
Montevidéu
Um ano após legalizar a produção e a venda de maconha, o Uruguai já
conta com cerca de 1.200 pessoas inscritas como cultivadoras e 500
clubes de cannabis.
"É muito auspicioso que haja 1.200 cultivadores nos primeiros três ou
quatro meses de aplicação da lei", explicou nesta segunda-feira (22) em
entrevista à imprensa o secretário-geral da Junta Nacional de Drogas
(JND), Julio Calzada, que indicou que o processo e a aplicação da lei
seguem um rumo "certo, cuidado e de controle".
Além disso, Calzada cifrou em 500 o número de clubes de cannabis
inscritos no Ministério de Cultura e no Instituto de Regulação e
Controle do Cannabis (IRCA). Eles podem ter até 45 membros e 99 plantas.
No entanto, reconheceu que "o grosso dos usuários" que consomem maconha
não devem adotar estes sistemas de autocultivo ou clubes, mas a
comercialização em farmácias, que ainda está em processo de regulação.
Calzada disse que neste momento está sendo desenvolvida a fase de
análise das propostas feitas por 11 empresas - de 22 que se apresentaram
inicialmente - interessadas em produzir maconha para venda nestes
estabelecimentos, tanto com fins terapêuticos como recreativos.
"Terminaremos nas próximas semanas. E assim que for licitada, as
empresas já se começarão a se instalar no prédio - propriedade do Estado
- montado no departamento de San José para produzir cannabis".
As declarações foram feitas após a apresentação da campanha de verão
"Se cuidando, todos aproveitam", um programa de gestão de riscos e danos
associado ao consumo de álcool, com a particularidade que nesta edição
incorporou a temática de consumo responsável de cannabis.
A controvérsia gerada em torno da conveniência ou não de distribuir a
droga em farmácias é um tema que está sendo discutido em "outro nível",
assumiu o secretário-geral da JND.
Isso porque o presidente eleito do Uruguai, Tabaré Vázquez, que tomará
posse em março de 2015, disse há poucos dias que seu governo acatará a
lei que autoriza o cultivo e a venda da maconha em farmácias, aprovada
pelo atual Executivo de José Mujica, mas não descartou fazer
modificações.
"Vamos cumprir a lei e realizar um acompanhamento muito estrito de como
se desenvolvem os eventos, e se for necessário modificá-la enviaremos
um projeto de lei para ser discutido no parlamento", acrescentou Vázquez
em entrevista.
Assim, antes de a maconha estar disponível para o sistema de farmácias,
tem que haver terminado o processo legal sobre a produção.
"Se na medida em que avançarmos vermos que não é o melhor lugar - de
venda, ficará nas mãos do futuro governo enviar um projeto de lei ao
parlamento para modificar alguns aspectos".
A cannabis só será vendida em farmácias e cada usuário poderá adquirir
até 40 gramas por mês a um preço de menos de US$ 1 o grama.
Desde a aprovação da lei todo cidadão uruguaio ou residente permanente
no país que deseje cultivar maconha em sua casa pode comparecer a um
escritório dos Correios e solicitar uma licença de produtor.
Depois de concedida, ele estará habilitado para cultivar livre e
legalmente até seis plantas de cannabis e colher até 480 gramas de
maconha ao ano para consumo pessoal.
No Uruguai o consumo de maconha é permitido por lei há quatro décadas,
mas por outro lado a produção e venda era proibida até dezembro do ano
passado.
Fonte: Uol Notícias
