Primeiro, família havia optado pela cremação e depois jogar cinzas no mar.
Ricardo dos Santos, de 24 anos, morreu às 13h10 desta terça-feira (20).
O corpo do surfista catarinense
Ricardo Santos, de 24 anos, será enterrado nesta quarta-feira
(21). Inicialmente, a família havia optado pela cremação e depois jogar
as cinzas no mar da Guarda do Embaú, em Palhoça,
Santa Catarina, mas, devido à dificuldade nos trâmites para emissão da
escritura de cremação, os familiares decidiram realizar o enterro.
Por volta das 20h30 desta terça (20), o corpo já havia sido liberado
pelo Instituto Médico Legal (IML). A previsão é que chegue por volta das
22h no salão paroquial da Guarda do Embaú para o velório. O
sepultamento está marcado para as 10h desta quarta (21) no cemitério de
Paulo Lopes. No entanto, pode ocorrer no período da tarde porque amigos
de outros países devem participar do ato.
O Hospital Regional de São José, na Grande Florianópolis, informou que
as córneas do surfista Ricardo dos Santos, 24 anos, foram retiradas e
serão doadas. A direção do hospital esclarece que, por não ter ocorrido
morte encefálica, e sim parada cardíaca, demais tecidos e órgãos não
puderam ser aproveitados para doação.
Ricardinho morreu no início da tarde desta terça (20)
(Foto: Henrique Pinguim/Divulgação)
(Foto: Henrique Pinguim/Divulgação)
Ricardinho, como é conhecido pelos
amigos, levou três tiros entre o tórax e o abdômen, na manhã de segunda
(19), após um desentendimento com o policial, que estava acompanhado do
irmão, menor de idade. O surfista morreu às 13h10 desta terça, no
Hospital Regional de São José, na Grande Florianópolis. Ele passou por quatro cirurgias - três delas na segunda -, mas não resistiu aos ferimentos.
Durante os procedimentos feitos na segunda, que duraram cerca de sete
horas, ele recebeu 24 litros de sangue. No dia seguinte, pela manhã, uma
nova operação foi realizada para estancar uma nova hemorragia, mas o
jovem não resistiu aos ferimentos e morreu horas depois.
PM é o principal suspeito
O policial militar Luis Paulo Mota Brentano, de 25 anos, suspeito de ter disparado os três tiros contra Ricardinho, já respondeu a outros processos criminais – e foi absolvido em todos, segundo a PM.
O policial militar Luis Paulo Mota Brentano, de 25 anos, suspeito de ter disparado os três tiros contra Ricardinho, já respondeu a outros processos criminais – e foi absolvido em todos, segundo a PM.
Policial suspeito de atirar em Ricardinho (de capuz) no momento da detenção (Foto: Guto Kuerten/Agência RBS)
O delegado responsável pela investigação, Marcelo Arruda, disse que
solicitará a mudança da tipificação do crime de tentativa de homicídio
para homicídio doloso qualificado – alteração que ainda deve ser
analisada pela promotoria de Justiça. Em paralelo, o PM também
responderá a um inquérito militar pelo mesmo crime.
Segundo Arruda, será feito na tarde desta terça o exame balístico no
IML para verificar se as balas perfuraram a vítima pelas costas. Algumas
testemunhas informaram que o terceiro tiro foi disparado quando o rapaz tentava fugir do agressor.
"A continuidade do inquérito depende do laudo cadavérico e da
reconstituição dos fatos", afirmou o delegado, acrescentando que todos
os depoimentos previstos já foram coletados.
Possibilidade de expulsão
O PM responde a inquérito das polícias Civil e Militar, que correm em paralelo, e têm prazo legal entre 30 e 45 dias para conclusão, respectivamente, com possibilidade de prorrogação.
O PM responde a inquérito das polícias Civil e Militar, que correm em paralelo, e têm prazo legal entre 30 e 45 dias para conclusão, respectivamente, com possibilidade de prorrogação.
"Após o inquérito, a corporação pode aplicar uma advertência ou até
mesmo a expulsão do soldado da Polícia Militar. Caso ele pegue uma pena
acima de dois anos, seja na Justiça comum ou militar, automaticamente
ele será desligado", explicou a tenente-coronel, Claudete Lemkuhl. "Caso
ele seja culpado, a certeza da punição é muito grande, já que a Justiça
Militar tem códigos muito severos", afirma.
O soldado está preso no batalhão da PM de Florianópolis por tempo
indeterminado. O PM estava em férias no dia do crime. Sobre o fato do PM
estar de férias no dia do crime, a tenente-coronel afirmou que um
policial tem direito a permanecer com porte de armas mesmo em recesso.
Versões
A polícia apura duas versões contraditórias apresentadas pelo suspeito do crime e por testemunhas, entre elas familiares de Ricardinho. Em depoimento na segunda, Brentano afirmou que atirou em legítima defesa, já que a vítima estaria com um facão.
A polícia apura duas versões contraditórias apresentadas pelo suspeito do crime e por testemunhas, entre elas familiares de Ricardinho. Em depoimento na segunda, Brentano afirmou que atirou em legítima defesa, já que a vítima estaria com um facão.
"[O policial] Disse que a vítima teria tentado agredir e que ele teve
que se defender", afirmou o delegado Marcelo Arruda. O menor de idade
que acompanhava o PM na hora do crime e seria seu irmão contou a mesma
versão. Ele foi ouvido como testemunha e liberado pela polícia.
Amigos e familiares choram a morte de Ricardinho diante do hospital (Foto: Renan Koerich)
No entanto, os policiais militares que atenderam a ocorrência não
apreenderam nenhum facão no local dos disparos, disse Arruda. Já a arma e
o carro do policial foram encaminhados para o Instituto Geral de
Perícias (IGP).
Um tio e o avô de Ricardinho afirmaram em depoimentoque não houve
nenhum tipo de agressão que motivasse os disparos, segundo Arruda.
Testemunhas
Testemunhas ouvidas pela polícia contaram que, por volta das 8h30 de segunda, Ricardinho e o avô dele, Nicolau dos Santos, iam começar o conserto de um cano que traz água do morro e abastece as casas da família.
Testemunhas ouvidas pela polícia contaram que, por volta das 8h30 de segunda, Ricardinho e o avô dele, Nicolau dos Santos, iam começar o conserto de um cano que traz água do morro e abastece as casas da família.
Um carro estava parado sobre o ponto onde o cano passa. O surfista
teria pedido aos dois ocupantes para que o automóvel fosse tirado dali,
mas um deles teria reagido de forma agressiva.
O morador da Guarda do Embaú Mauro
da Silva relatou que o policial disse "quem manda aqui é nós". "No exato
momento, eu cheguei junto e o Ricardo falou 'como quem manda aqui é nós
se eu nasci aqui, nunca vi vocês aqui'. Eu cheguei e falei 'não, cara, é
melhor vocês saírem'".
Segundo os moradores não houve uma
discussão forte e, quando todos achavam que o motorista estava saindo
com o veículo, o policial sacou uma pistola e atirou duas vezes contra
Ricardo. O atleta ainda tentou fugir, mas foi atingido por mais um tiro
nas costas, conforme testemunhas.
Outra versão de testemunhas afirma que o policial e o irmão estariam
consumindo drogas na frente da casa do surfista, que pediu para eles
saírem do local. Teria havido uma discussão e os tiros. O inquérito
policial vai apurar o que realmente aconteceu.
Para a PM, há uma contradição quanto ao suposto uso de drogas. "Foi o
próprio soldado que solicitou o exame toxicológico. Ele confessou que
teria ingerido álcool na noite anterior, mas não outras drogas", disse a
tenente-coronel Claudete.
O resultado do exame será encaminhado à delegacia de Polícia Civil e
depois para a Corregedoria, responsável pelo inquérito militar.
Fonte: G1
