![]() |
Katumi Wari é mãe de nove filhos e foi capturada pelo grupo islamita
Boko Haram quando procurava suas crianças pelas ruas de Baga, onde viveu
vários dias de calvário junto a outras 500 mulheres e meninas também
cativas.
No sábado, 3 de janeiro, o grupo Boko Haram lançou contra Baga, polo comercial da região, a mais sangrenta ofensiva em seis anos de insurreição no nordeste da Nigéria.
Centenas de pessoas, "ou até mais", morreram no ataque, segundo a Anistia Internacional, enquanto França e Estados Unidos acusam o grupo islamita de "crimes contra a humanidade".
Trancada dentro de casa durante os combates, Katumi Wari enfim saiu à rua. Acompanhada dos três filhos menores, esta mulher de 40 anos foi em busca do marido e de seus seis outros filhos.
Nas ruas desertas de Baga, ela deu de cara com cinco homens armados do Boko Haram. Eles pediram para que ela os acompanhasse. Ela hesitou, mas seguiu após ter uma arma apontada para a cabeça, e foi levada até uma espécie de prisão feminina, completamente lotada.
"Havia mais de 500 mulheres e centenas de crianças no local", conta Katumi à AFP por telefone, já em Maiduguri, capital do estado de Borno onde ela se refugiou, cerca de 160 quilômetros ao sul de Baga.
As prisioneiras são mantidas em dormitórios, salas e do lado de fora, em meio a um vento frio. "A maioria de nós foi separada dos filhos e dos maridos", explica a mulher.
No sábado, 3 de janeiro, o grupo Boko Haram lançou contra Baga, polo comercial da região, a mais sangrenta ofensiva em seis anos de insurreição no nordeste da Nigéria.
Centenas de pessoas, "ou até mais", morreram no ataque, segundo a Anistia Internacional, enquanto França e Estados Unidos acusam o grupo islamita de "crimes contra a humanidade".
Trancada dentro de casa durante os combates, Katumi Wari enfim saiu à rua. Acompanhada dos três filhos menores, esta mulher de 40 anos foi em busca do marido e de seus seis outros filhos.
Nas ruas desertas de Baga, ela deu de cara com cinco homens armados do Boko Haram. Eles pediram para que ela os acompanhasse. Ela hesitou, mas seguiu após ter uma arma apontada para a cabeça, e foi levada até uma espécie de prisão feminina, completamente lotada.
"Havia mais de 500 mulheres e centenas de crianças no local", conta Katumi à AFP por telefone, já em Maiduguri, capital do estado de Borno onde ela se refugiou, cerca de 160 quilômetros ao sul de Baga.
As prisioneiras são mantidas em dormitórios, salas e do lado de fora, em meio a um vento frio. "A maioria de nós foi separada dos filhos e dos maridos", explica a mulher.
'Foco nas meninas'
"Eles não tocaram em nenhuma mulher, estavam focados nas meninas. Eles
as vigiavam e um homem armado ia com elas a todos os lugares, até ao
banheiro".
Todos os dias, os islamitas sequestram pessoas nos mercados da cidade e forçam as mulheres a cozinhar para eles. Algumas delas não conseguem nem engolir, de tão chocadas e abatidas.
Quando os insurgentes "enjoam" das mulheres muito "histéricas", eles decidem deixá-las partir, conta Katumi.
"Nos éramos uma centena. Todas mães. Eles não teriam nunca deixado as meninas irem embora".
Os sequestros de meninas são frequentes no nordeste da Nigéria desde o início da insurreição do Boko Haram, há seis anos.
Estas mulheres e meninas servem de escravas sexuais, cozinham e fazem as tarefas domésticas nos acampamentos do Boko Haram, e elas também estão nas linhas de frente dos combates, segundo relatório da organização Human Rights Watch divulgado em outubro de 2014.
Segundo a ONG, mais de 500 mulheres e meninas foram sequestradas desde 2009, mas outros relatórios apresentam números maiores.
O sequestro que ganhou maior atenção da imprensa foi o das 219 estudantes de Chibok, também no Estado de Borno, em abril do ano passado. Apesar do movimento de apoio às meninas em escala mundial, elas ainda estão desaparecidas.
Todos os dias, os islamitas sequestram pessoas nos mercados da cidade e forçam as mulheres a cozinhar para eles. Algumas delas não conseguem nem engolir, de tão chocadas e abatidas.
Quando os insurgentes "enjoam" das mulheres muito "histéricas", eles decidem deixá-las partir, conta Katumi.
"Nos éramos uma centena. Todas mães. Eles não teriam nunca deixado as meninas irem embora".
Os sequestros de meninas são frequentes no nordeste da Nigéria desde o início da insurreição do Boko Haram, há seis anos.
Estas mulheres e meninas servem de escravas sexuais, cozinham e fazem as tarefas domésticas nos acampamentos do Boko Haram, e elas também estão nas linhas de frente dos combates, segundo relatório da organização Human Rights Watch divulgado em outubro de 2014.
Segundo a ONG, mais de 500 mulheres e meninas foram sequestradas desde 2009, mas outros relatórios apresentam números maiores.
O sequestro que ganhou maior atenção da imprensa foi o das 219 estudantes de Chibok, também no Estado de Borno, em abril do ano passado. Apesar do movimento de apoio às meninas em escala mundial, elas ainda estão desaparecidas.
Cheiro de cadáveres
Uma vez libertada, Katumi Wari volta à sua cidade e a descobre totalmente em ruínas.
"Vi muitas casas queimadas e corpos em estado de decomposição", conta. "Tive que tapar o nariz com um pedaço do meu véu por causa do cheiro dos cadáveres".
"Não há mais ninguém na cidade, fora o Boko Haram. Eles patrulham noite e dia, não dormem à noite. Eles transformaram a base militar das forças regionais no quartel-general do grupo".
"Eles também ocuparam a maior parte das casas de Baga".
"Quase todas as cidades que nós atravessamos a caminho de Munguno estavam desertas. Só quem fica são as mulheres idosas, muito fracas para percorrer longas distâncias".
Katumi Wari continua sem notícias do marido, um pescador de 57 anos, e dos seis filhos mais velhos.
Ela pensa nas mulheres frágeis que teve que deixar para trás no meio do caminho, quando fugia para Maiduguri, e naquelas que estão nas mãos dos islamitas.
"Muitas mulheres estão muito doentes para conseguir comer, não conseguem nem caminhar. Acho que elas vão morrer de frio".
"Vi muitas casas queimadas e corpos em estado de decomposição", conta. "Tive que tapar o nariz com um pedaço do meu véu por causa do cheiro dos cadáveres".
"Não há mais ninguém na cidade, fora o Boko Haram. Eles patrulham noite e dia, não dormem à noite. Eles transformaram a base militar das forças regionais no quartel-general do grupo".
"Eles também ocuparam a maior parte das casas de Baga".
"Quase todas as cidades que nós atravessamos a caminho de Munguno estavam desertas. Só quem fica são as mulheres idosas, muito fracas para percorrer longas distâncias".
Katumi Wari continua sem notícias do marido, um pescador de 57 anos, e dos seis filhos mais velhos.
Ela pensa nas mulheres frágeis que teve que deixar para trás no meio do caminho, quando fugia para Maiduguri, e naquelas que estão nas mãos dos islamitas.
"Muitas mulheres estão muito doentes para conseguir comer, não conseguem nem caminhar. Acho que elas vão morrer de frio".

12.mai.2014
- Em vídeo divulgado pelo grupo radical Boko Haram, que sequestrou mais
de 200 jovens na Nigéria, as meninas feitas reféns vestem hijabs
(trajes tradicionais islâmicos) enquanto conversam em local
desconhecido. Segundo um porta voz do grupo, elas se converteram ao Islã
e só serão libertadas se o governo trocá-las por militantes.
Fonte: Uol Notícias
