Balanço
Lançamento das perdas de corrupção foi exigência da PwC, empresa que audita as demonstrações financeiras da estatal
Petrobras registrou, em 2014, prejuízo de R$ 21,587 bilhões ante o lucro de R$ 23,4 bilhões registrado em 2014
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Com impacto do lançamento de perdas de R$ 6,2 bilhões relacionadas à
corrupção e outros R$ 44,345 bilhões à reavaliação dos ativos, a Petrobras registrou, em 2014, prejuízo de R$ 21,587 bilhões ante o lucro de R$ 23,4 bilhões registrado em 2013.
O lançamento das perdas de corrupção foi exigência da PwC, empresa que
audita as demonstrações financeiras da estatal. Foi decorrente da
revelação, pela Operação Lava-Jato, do funcionamento de
um cartel de empresas que, com a participação de diretores da
Petrobras, combinava resultados de licitações da companhia, a partir de
2004, e cobrava percentuais entre 1% 3% para abastecer o esquema,
segundo depoimentos.
O esquema veio à tona em outubro, o que levou a PwC a mandar a
Petrobras aprofundar as investigações sobre corrupção, atrasando o
balanço do terceiro trimestre. Com as evidências do desvio, a empresa
teve de calcular o que foi lançado indevidamente como investimento mas
que, na verdade, foi desviado em propina.
O novo presidente da Petrobras, Aldemir Bendine, ainda
vai detalhar, em entrevista coletiva, a metodologia de cálculo usada
desde fevereiro, quando assumiu o cargo, no lugar de Graça Foster, tendo
esta como primeira missão.
Número descartado
Em janeiro, duas consultorias contratadas por Graça Foster chegou
a uma conta que mostrava ativos superavaliados em R$ 88,6 bilhões.
Conselheiros e diretores concluíram, porém, que o número incorporava
outras perdas além da corrupção, como variação do câmbio e do barril,
além de ineficiência dos projetos.
Mesmo assim, o número foi revelado ao mercado, deixando a presidente Dilma Rousseff irritada. O episódio gerou uma crise que resultou na saída de Graça e de cinco diretores, no início de fevereiro.
Em 2014, a produção de petróleo da Petrobras no Brasil cresceu 5,3%,
abaixo da meta inicial -de 7,5% com um ponto percentual de tolerância
para menos.
Fonte: Diário do Nordeste