Investigação aponta para torcedor que foi preso na Bolívia em 2013.
Corpos das vítimas foram enterrados nesta segunda-feira (20).
A Polícia Civil acredita que apenas uma das oito vítimas da chacina na
sede da torcida Pavilhão Nove, do Corinthians, na noite de sábado (18),
era o alvo dos criminosos. As investigações apontam para Fabio Neves
Domingos, de 34 anos. O torcedor foi um dos corintianos presos em Oruro,
na Bolívia, em 2013.
Ele estava entre os 12 suspeitos de disparar um sinalizador que atingiu
e matou o adolescente boliviano Kevin Espada. Ainda de acordo com a
Polícia, depois de ser solto, Domingos se envolveu numa briga entre
corintianos e vascaínos em Brasília.
“A linha mais forte seria o envolvimento de uma das vítimas com o
tráfico de drogas. A disputa por algum ponto que teria gerado esse
crime. Normalmente, não são todos os alvos, geralmente uma pessoa, uma
vítima é o alvo ou duas, infelizmente quem está junto na hora acaba
sendo morto também”, explicou o delegado Luiz Fernando Lopes Teixeira,
responsável pelo caso.
Suspeitos
Ainda de acordo com a Polícia Civil, a ordem para executar os oito torcedores do Corinthians partiu de uma facção criminosa que atua dentro e fora dos presídios. Dois suspeitos já foram identificados.
Ainda de acordo com a Polícia Civil, a ordem para executar os oito torcedores do Corinthians partiu de uma facção criminosa que atua dentro e fora dos presídios. Dois suspeitos já foram identificados.
Investigações feitas pelo Departamento Estadual de Investigações
Criminais (Deic) e pelo Departamento Estadual de Prevenção e Repressão
ao Narcotráfico (Denarc) apontam que alguns dos mortos comandavam pontos
de tráfico de drogas na região da Ceagesp, na Zona Oeste da capital
paulista. Eles teriam se desentendido com grupos rivais.
Com base no que as testemunhas relataram, a polícia descarta que a
motivação tenha sido uma rixa entre torcidas. Perto dos corpos foram
encontradas cápsulas de pistola 9 mm. “Acabaram com a minha vida”, disse
a mãe de uma das vítimas ao deixar a sede do DHPP, no Centro.
Enterro
Os corpos das vítimas foram velados e enterrados nesta segunda-feira (20) na capital paulista e na região metropolitana de São Paulo. Ao menos seis corpos foram enterrados nesta manhã.
Os corpos das vítimas foram velados e enterrados nesta segunda-feira (20) na capital paulista e na região metropolitana de São Paulo. Ao menos seis corpos foram enterrados nesta manhã.
Velório
do corpo de uma das vítimas da chacina que deixou 8 mortos na sede da
torcida Pavilhão Nove (Foto: Edu Silva/ Futura Press/ Estadão Conteúdo )
Sobre o caixão do compositor Mydras Schmidt, de 38 anos, foi colocada a
bandeira da escola de samba Pérola Negra. Em 2014, ele foi puxador da
agremiação da Vila Madalena, bairro em que cresceu, e onde seu corpo foi
velado. A bandeira da torcida Pavilhão Nove também estava presente no
velório. Os amigos cobram uma apuração da chacina.
"Ele gostava somente do samba e do Corinthians. Muito ruim a gente
perder ele. Queremos justiça", diz Luciana Pires, amiga de Mydras.
Além de Mydras, foram assassinados Ricardo Junior Leonel do Prado, de
34 anos, André Luiz Santos de Oliveira, de 29 anos, Mateus Fonseca de
Oliveira, de 19 anos, Fabio Neves Domingos, de 34 anos, Jhonatan
Fernando Garzillo, de 21 anos, Marco Antônio Corassa Junior, de 19 anos,
e Jonathan Rodrigues do Nascimento, de 21 anos.

Pavilhão 9
A torcida organizada Pavilhão Nove foi criada em homenagem aos presos mortos em um dos pavilhões da penitenciária do Carandiru, em outubro de 1992. Ela foi criada por um grupo de amigos que fazia trabalho social no presídio e promovia jogos de futebol contra o time "Corinthians do Pavilhão 9".
A torcida organizada Pavilhão Nove foi criada em homenagem aos presos mortos em um dos pavilhões da penitenciária do Carandiru, em outubro de 1992. Ela foi criada por um grupo de amigos que fazia trabalho social no presídio e promovia jogos de futebol contra o time "Corinthians do Pavilhão 9".
Sobrevivente viu execução
A mãe de um dos oito mortos contou ao G1 que um dos sobreviventes da chacina foi enrolado em uma bandeira do time e deixado vivo pelos criminosos. "Disseram para ele que ele tinha sorte que as balas tinham acabado e que ele ficou vivo para contar tudo", relatou. Segundo ela, outros rapazes que estavam no local conseguiram arrombar uma porta e fugir.
A mãe de um dos oito mortos contou ao G1 que um dos sobreviventes da chacina foi enrolado em uma bandeira do time e deixado vivo pelos criminosos. "Disseram para ele que ele tinha sorte que as balas tinham acabado e que ele ficou vivo para contar tudo", relatou. Segundo ela, outros rapazes que estavam no local conseguiram arrombar uma porta e fugir.
Ela esteve no Instituto Médico-Legal na manhã deste domingo (19) para
fazer o reconhecimento do corpo do filho, e disse que as vítimas foram
espancadas antes de morrer. "Deixaram o rosto e o braço dele todo
machucado", afirmou. Ela preferiu não se identificar por medo de
represálias.
Erasmo Carlos, cunhado de André Luiz de Oliveira, um dos mortos, pediu
justiça. Ele esteve no IML neste domingo. "A gente espera justiça. Isso
passa direto na televisão. Essa violência não pode ficar impune",
defendeu.
Maria Enédna de Abreu, amiga de parentes das vítimas, afirmou que os
torcedores eram boas pessoas. "Não dá pra entender o que aconteceu. Os
meninos eram bons", disse.
Oito pessoas morrem depois de serem baleadas na sede da Pavilhão 9 (Foto: Edison Temoteo/Futura Press/Estadão Conteúdo)
Fonte: G1
