Em entrevista na manhã de hoje à TV Verdes Mares, familiares de algumas das 11 pessoas assassinadas na madrugada desta terça-feira (12) nos bairros Curió, Lagoa Redonda e São Miguel, acusaram policiais militares “fardados” de invadirem residências e matar as vítimas.
Já a Secretaria
da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) decidiu montar uma
força-tarefa para apurar a matança.
“Eles
invadiram nossas casas, arrastaram as pessoas e mataram com tiros na
cabeça. Estavam fardados e não respeitaram nem as crianças que estavam
dormindo”, contou uma mulher à Reportagem.
Outra moradora, uma jovem,
informou que sua residência foi atacada por “policiais”, que arrastaram
seu sobrinho e o executaram com vários tiros na cabeça.
Em
entrevista à TV, logo após os relatos dos moradores, o chefe do
Comando do Policiamento da Capital (CPC), coronel PM Francisco Souto,
explicou que todas as informações que todas as colhidas deverão ser
apuradas pela Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), que
ficará responsável pela investigação das 11 execuções sumárias.
Identificação
Das
11 vítimas mortas entre zero e 3 horas da madrugada desta quinta-feira,
apenas quatro corpos haviam chegado à sede da Perícia Forense do Estado
do Ceará (Pefoce) até o fim da manhã. Três deles não haviam sido
identificados. Somente um foi cadastrado na Coordenadoria de Medicina
Legal (Comel), já devidamente qualificado.
Tratava-se de Antônio Álisson
Inácio Cardoso, cujo corpo foi recolhido por volta de 0h20 na Rua
Lucimar de Oliveira, no bairro Curió. No mesmo local, outro cadáver foi
encontrado. O duplo assassinato se somou a mais nove execuções.
O
terceiro corpo (do sexo masculino) foi encontrado, crivado de balas,
por volta de 1h20, na Rua Professor José Artur de Carvalho, também no
Curió. E o quarto, por volta de 1h20, na Avenida Professor José Artur de
Carvalho, no mesmo bairro, totalizando quatro execuções.
Além
deles, mais sete pessoas foram executadas nas horas seguintes. O último
assassinato ocorreu já por volta de 3 horas, na esquina das ruas Elza
Leite Albuquerque e Joana Soares, no Conjunto São Miguel.
No
“Frotinha” de Messejana, pelo menos, nove pessoas baleadas deram
entrada ali durante a madrugada e quatro acabaram falecendo ainda na
Emergência. Entre os mortos estariam dois adolescentes cujos corpos,
juntamente com o de um terceiro rapaz, foram transportados até o
hospital na caçamba de uma pick-up.
As imagens da chegada dos feridos
foram registradas em um vídeo. Publicado, em primeira-mão, pelo site
cearanews7.com.br
Força-Tarefa
Quatro
delegados estarão no comando das investigações sobre a chacina, com uma
equipe de 15 inspetores e escrivães. Por determinação da SSPDS, outros
setores das polícias Civil e Militar vão colaborar nas diligências,
como a Unidade Tático Operacional (UTO) da Divisão Antissequestro (DAS),
e a Coordenadoria de Inteligência Policial (CIP), órgão integrante do
Comando-Geral da PM.
Pelo
menos, três linhas de investigações estão sendo consideradas. Uma
delas, suposta vingança pelo assassinado de um traficante, na tarde de
ontem, no Anel Viário. Tratava-se de Lindemberg Vieira Dias, que sofreu
uma emboscada e foi executado com mais de 30 tiros de fuzil e pistolas.
Ele tinha acabado de sair do Presídio do Carrapicho, em Caucaia.
Lindemberg era o chefe de uma das quadrilhas que atuam na Grande
Messejana.
A
segunda linha, diz respeito a uma possível retaliação entre dois
grupos de traficantes pela prisão, no dia anterior, do traficante de
drogas Carlos Alexandre Alberto da Silva, o “Castor”, capturado com um
fuzil e uma pistola de calibre 45 milímetros, numa operação de policiais
do 6º DP (Messejana), em Pacatuba.
Por
fim, a terceira linha da apuração, não descarta a hipótese de uma
vingança pelo assassinato de um policial militar, ocorrido durante
assalto no bairro Lagoa Redonda, na noite de quarta-feira. O soldado
Valtemberg Chaves Serpa, 32, foi baleado e morto ao reagir contra
assaltantes que haviam rendido sua esposa, em um Centro de Treinamento
de Futebol.
Com informações de Ceará News7
