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Foto: Chico Gomes / Divulgação Secitece. |
Maria Larissa Pereira Paiva, ou Larittrix, como também é conhecida, tem 17 anos e é natural do município de Pires Ferreira, na microrregião de Ipu. Atualmente, ela estuda como bolsista em um colégio particular da Capital cearense e coordena diversos projetos que buscam levar o conhecimento científico para crianças e jovens.
Em 2021, Larissa participou da Caça a Asteróides promovida pela
International Astronomical Search Collaboration (IASC), da Nasa. Foi a
partir desse projeto que a jovem identificou um asteróide até então
desconhecido. Na ocasião, ela submeteu dez possíveis planetas menores
para análise, e um deles foi aceito para catalogação.
Apesar de ser um estudo que demanda
muito tempo, ela diz que acompanha o processo por meio da plataforma do
próprio IASC. Além do asteroide que descobriu no ano passado, desde
então a estudante também enviou ao programa outros cinco, que atualmente
estão nas fases preliminares de catalogação.
A
partir das redes sociais, comunidades e projetos, Larittrix tem sido
capaz de auxiliar outras pessoas que também possuem interesse em se
aprofundar na astronomia. Por meio desses canais, ela começou a dar
palestras em escolas e entrou em contato com outros jovens interessados
em participar de projetos e competições.
Com
essa rede de pessoas ávidas por descobertas científicas, Larissa viu a
chance de estimular uma competição. Propôs, então, entre os seus alunos,
que aqueles que identificassem mais galáxias teriam suas conquistas
divulgadas por ela em suas redes sociais. A jovem vai divulgar os
resultados em breve em um ranking que está sendo montado por ela.
Ela conta que alguns de seus seus
mentorados já ultrapassaram a marca de 1.470 galáxias identificadas.
Jovens como a pernambucana Maria Laura, de 14 anos, e o paraibano
Giovany Arthur, de 17 anos, têm, respectivamente, 3.400 e cerca de
29.400 galáxias identificadas a partir da plataforma Galaxy Cruise.
Ela
aconselha, para aqueles que querem começar nessa área, que é importante
estar próximo de pessoas que participam desse campo e divulgam
oportunidades. Foi assim que ela mesma foi influenciada a participar de
projetos e gradualmente aprender mais sobre astronomia.
No entanto, a curiosidade de Larissa
nem sempre foi estimulada. "Ser uma mulher na ciência, ser nova, já é
uma descredibilização natural," explica. Ela relata que o padrão imposto
em seu município "normalmente, para as mulheres, é se casar ou com
vereador ou político ou com trabalhador de olaria".
Por
isso, ela explica que sempre quer se mostrar um exemplo realista para
outras meninas no Interior do Estado. "Eu quero que exista uma rede que
apoie as crianças do Interior no sentido do conhecimento delas",
declara.
A transformação pelo conhecimento
Quanto
ao potencial transformador desse conhecimento, Larissa diz que percebe a
mudança na forma que as pessoas enxergam o mundo e a pequenez dos seres
humanos a partir dele.
Ela
diz que as pessoas começam por entender que vale a pena ter a mente
aberta para estudar essa área e cita o cientista, Carl Sagan, em sua
obra "O Pálido Ponto Azul": "Tem-se falado da astronomia como uma
experiência criadora de firmeza e humildade. Não há, talvez, melhor
demonstração das tolas e vãs soberbas humanas do que esta distante
imagem do nosso miúdo mundo".
Atualmente, Larissa pretende cursar o
ensino superior nos Estados Unidos e quer obter uma dupla graduação, em
Astronomia e Astrofísica e Educação e Sociedade. Diz, no entanto, ter a
certeza de que quer retornar ao Brasil para continuar a compartilhar
conhecimento.
Fonte: O Povo