Myriam
encontrou na curiosidade alheia uma fonte de renda: ela vende fofocas
sobre a rotina da própria comunidade e afirma ter conseguido comprar
duas casas com o dinheiro arrecadado.
Para
não se perder nos relatos, Myriam mantém um método próprio de trabalho.
Ela anota tudo em uma caderneta e, em alguns casos, utiliza até um
painel com fotos para organizar melhor os acontecimentos e as pessoas
envolvidas. Sentada em frente à própria casa, registra movimentações,
conversas e episódios que considera relevantes para o “arquivo” do
bairro.
Quando
alguém aparece em busca de informações, Myriam consulta seus registros e
compartilha os detalhes, sempre cobrando pelo serviço. Segundo ela, o
que faz não passa de observação e memória bem organizada.
Nem
toda fofoca é contada. Histórias mais delicadas são negociadas
separadamente e podem render valores bem mais altos. Em uma ocasião,
Myriam recebeu 700.000 pesos colombianos, cerca de mil reais, para
manter uma informação em segredo. O caso envolvia uma situação de
infidelidade e exigia discrição para evitar conflitos familiares.
Apesar
da fama repentina, Myriam mantém um discurso simples. Ela afirma que
apenas observa o cotidiano, registra o que vê e responde à curiosidade
de quem a procura — desde que o valor seja combinado antes.
Fontes: Metrópoles
