Crime desencadeou outras mortes dentro do próprio grupo criminoso.
A
Polícia Civil do Ceará (PCCE) prendeu, nesta quinta-feira (29), dois
homens suspeitos de participação no homicídio de Mauro Cesar da Silva
Oliveira Filho, crime ocorrido em fevereiro de 2025 no bairro
Jacarecanga, em Fortaleza. Segundo as investigações, a morte provocou
forte repercussão interna em uma facção criminosa com atuação no Ceará e
ramificações no Rio de Janeiro, dando início a um racha dentro da
organização.
As
prisões foram realizadas por equipes do Departamento de Homicídios e
Proteção à Pessoa (DHPP), por meio da 4ª Delegacia de Homicídios, que
cumpriram mandados de prisão preventiva contra Francisco Bruno Silva
Soares, conhecido como “Shoyo”, e José Ronald do Nascimento, o
“Boladinho”.
O
crime ocorreu no dia 16 de fevereiro de 2025, na Avenida Presidente
Castelo Branco, nas proximidades da Escola de Aprendizes Marinheiros, no
Jacarecanga. Desde então, o caso vinha sendo tratado como prioritário
pelo DHPP, em razão da complexidade das informações levantadas durante a
apuração.
Execução teria sido realizada sem aval da liderança
De
acordo com a linha investigativa, Mauro Cesar foi executado por
integrantes do próprio grupo criminoso ao qual estaria vinculado. Além
dos dois suspeitos presos, a Polícia Civil apura a participação de um
adolescente e de um homem conhecido como “Pedro Doido”, já preso
anteriormente em outro inquérito que investiga um crime de extrema
violência, no qual a vítima foi atacada com golpes de faca na cabeça.
As
investigações apontam que a execução de Mauro Cesar não teria sido
previamente autorizada pela liderança local da facção, o que gerou
desgaste interno e repercussão negativa entre os integrantes do grupo. O
episódio passou a ser visto como um erro estratégico, sobretudo pela
visibilidade do crime e pela reação de facções rivais.
Pressão externa e disputa interna
Com
a repercussão do homicídio, integrantes ligados a uma ala da facção com
origem no Rio de Janeiro teriam passado a pressionar por represálias.
Segundo a apuração policial, a liderança conhecida como “Fiel” teria, em
um primeiro momento, determinado a execução, mas recuado
posteriormente, deixando os executores sem respaldo dentro da
organização.
A
mudança de postura teria colocado os envolvidos diretamente no
homicídio na condição de alvos dentro da própria facção. O cenário levou
ao agravamento do conflito interno e ao rompimento entre grupos
aliados.
Nova execução como forma de “punição”
Ainda
conforme as investigações, como forma de “punição interna” e tentativa
de reorganizar o controle territorial, os mesmos envolvidos na morte de
Mauro Cesar teriam sido incumbidos de executar um homem conhecido como
“Mofo”, apontado como liderança criminosa na região do Pirambu.
A
apuração indica que Mofo teria afirmado não ter autorizado a execução
de Mauro Cesar justamente por prever as consequências negativas do
crime. Mesmo assim, sua morte teria sido ordenada como um “ajuste de
contas” interno, aprofundando ainda mais o racha na facção.
Investigações seguem em andamento
A
Polícia Civil destaca que as prisões realizadas representam um avanço
significativo na elucidação do caso, mas reforça que as investigações
continuam para identificar todos os envolvidos, esclarecer a cadeia de
comando e compreender a totalidade das ordens que culminaram na
sequência de homicídios.
O
DHPP trabalha com a hipótese de que os crimes estejam diretamente
ligados à disputa por poder, controle territorial e legitimidade interna
dentro da facção criminosa.
Via portal CN7
