O homicídio ocorreu em via pública nesse domingo (19). Os suspeitos foram presos horas depois do crime pela Polícia Civil.
A cobrança de uma dívida de drogas de R$ 900 teria motivado a execução a tiros em uma via pública de um pedreiro no bairro Itaperi, em Fortaleza, nesse domingo (19). Por suspeita de participação no crime, equipes do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), da Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE), prenderam Alisson de Lima Silva, o 'Reloginho', e João Davi Rodrigues Farias, o 'Coruja'.
As prisões foram embasadas em depoimentos de testemunhas, análises de câmeras de segurança e registros do monitoramento eletrônico. A defesa dos suspeitos presos não foi localizada pela reportagem.
A vítima foi identificada como Erasmo Cardoso Maciel, 45. Ele foi morto momentos depois de sair para comprar pão, segundo a companheira dele relatou aos policiais civis.
Conforme documentos obtidos pelo Diário do Nordeste, a mulher confirmou que o marido era usuário de drogas, mas disse desconhecer "qualquer inimizade". Entretanto, admitiu, depois, a existência do débito com traficantes de drogas da região.
A motivação do crime foi revelada inicialmente pelo suspeito João Davi.
Em interrogatório, ele confessou ser o mandante e o motorista do veículo no qual os suspeitos fugiram após o homicídio. O jovem de 18 anos disse que exerce uma posição de liderança na facção criminosa Comando Vermelho (CV), e alegou ser o "12º do Ceará em importância dentro da facção".
O suspeito possuía duas passagens por posse ilegal de arma de fogo. Ele ainda declarou que forneceu drogas a Alisson para ele criar "coragem" para realizar o crime.
Tornozeleira eletrônica auxiliou prisão
A prisão dos suspeitos foi realizada também no bairro Itaperi. Policiais do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) foram ao local do crime, na Rua Acapulco e receberam informações de que o atirador usava uma tornozeleira eletrônica.
O DHPP solicitou à Coordenadoria de Monitoração Eletrônica de Pessoas (COMEP), da Secretaria da Administração Penitenciária e Ressocialização (SAP), informações sobre a presença de monitorados na região, e o cruzamento de dados apontou para Alisson.
A dupla, apontada como o executor e o que teria auxiliado na fuga, foi localizada no mesmo bairro. Ainda durante a ação, uma arma de fogo utilizada no homicídio foi apreendida em posse dos suspeitos. Diante dos fatos, ambos foram conduzidos ao DHPP. Na delegacia, eles foram autuados em flagrante pelo crime de posse ilegal de arma de fogo e homicídio. A PCCE segue com as investigações com o objetivo de identificar a motivação do crime
A tornozeleira eletrônica, usada por Alisson em decorrência de uma ação criminal de organização criminosa, o colocou na região onde o crime foi cometido. A morte ocorreu por volta das 12h46, e o monitoramento identificou a localização do suspeito em um raio de 50 metros da cena.
De posse das informações, os policiais foram à residência de Alisson, na comunidade Jana Barroso, no Itaperi, e quem atendeu foi João Davi, que entregou um revólver calibre .38 e gritou "perdeu, perdeu", possivelmente para alertar o comparsa.
Legenda: Suspeitos foram presos em uma casa no mesmo bairro onde o ocorreu o crime. Foto: Reprodução/Polícia Civil.
Alisson tentou fugir pelo telhado da casa, pulando sobre telhas, mas caiu no chão, teve ferimentos na região da perna e foi capturado. Diferentemente de João, ele negou ter participado do crime e ter envolvimento com facção criminosa, e afirmou ter visto quem matou Erasmo ao sair para comprar droga.
Na residência do suspeito, foram encontradas uma calça jeans e uma blusa branca que havia sido lavada recentemente. As vestimentas são compatíveis com as usadas no crime, de acordo com câmeras de segurança.
(Diário do Nordeste)