A Justiça converteu a prisão em flagrante em prisão preventiva.
A ação criminosa que vitimou a adolescente Ana Kévile Nogueira Batista conta com características de um crime premeditado. O Diário do Nordeste apurou que o suspeito José Arimatéia Felipe saiu do bar após uma discussão e retornou ao local já em posse de uma arma de fogo.
Conforme testemunhas, Ana Kévile, de 17 anos, foi morta a tiros em um estabelecimento comercial na cidade de Deputado Irapuan Pinheiro, Interior do Ceará, depois de recusar o assédio do homem. José Arimateia teria oferecido R$ 500 em troca de relação sexual com a vítima.
De início, logo quando a vítima não correspondeu ao assédio, houve um princípio de tumulto no local e populares exigiram que o homem saísse do estabelecimento. Testemunhas contam que poucos minutos depois, o homem retornou ao local já armado.
Na versão de um popular que estava no local, Arimatéia já sacou a arma de fogo logo quando desceu da motocicleta. Ele ainda teria ido até à mesa da adolescente, que chegou a pedir novamente que ele se retirasse.
José foi levado à audiência de custódia nesta quarta-feira (29) e "o cumprimento da prisão foi homologado pelo 2º Núcleo Regional de Custódia e das Garantias, com sede em Iguatu".
O Judiciário decidiu manter a prisão do homem capturado em flagrante sob suspeita do crime de feminicídio.
De acordo com o Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE), o suspeito permanece preso preventivamente e o processo foi redistribuído à Comarca de Solonópole. A defesa do preso não foi localizada pela reportagem.
Após se aproximar da adolescente com investidas inconvenientes, de forma insistente, “chegando a tocar sua coxa”, conforme o registro, ele ofereceu a quantia, “sendo prontamente repreendido”.
Em entrevista concedida ao Diário do Nordeste nesta quarta-feira (29), o secretário da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), Roberto Sá, destacou que o crime se tratou de um episódio "covarde e lamentável".
FEMINICÍDIO
O Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) também se manifestou com indignação sobre o crime de feminicídio, chamando atenção para o grave problema enfrentado pela sociedade.
Em sua declaração, o Unicef afirma que a morte da adolescente não se trata de um acidente ou um crime isolado, e sim "a expressão brutal da misoginia estrutural que permeia a sociedade brasileira, alimentando a violência de gênero e a cultura de impunidade".
"O feminicídio de Ana Kévile é um lembrete doloroso de que a violência contra meninas e mulheres não é um problema delas, mas um problema de toda a sociedade, que exige respostas urgentes e coordenadas", diz o texto.
O órgão chamou atenção, ainda, para os índices da violência de gênero, destacando dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública: quatro mulheres são vítimas de feminicídio, em média, por dia no Brasil. Além disso, reforça como a violência afeta, direta e indiretamente, as famílias das vítimas.
O crime foi registrado no último sábado (25), na cidade de Deputado Irapuan Pinheiro.
Segundo a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), o suspeito é investigado pelo crime de feminicídio e, na ocasião da detenção, ele foi também autuado por porte ilegal de arma de fogo.
A tragédia gerou manifestações da comunidade e entre autoridades da região nas redes sociais.
"A morte prematura e violenta de Ana Kevile não é um fato isolado, mas o reflexo de uma sociedade ainda marcada pela misoginia e pelo sentimento de posse sobre a vida das mulheres", disse o prefeito Gildecarlos Pinheiro.
(Diário do Nordeste)