Total de visualizações

!!

!!

Mãe relata bullying antes de adolescente ingerir mistura "Purple Drank" que o levou à UTI no Ceará

Mãe afirma que filho era alvo de acusações dentro da escola antes de ingerir mistura com álcool e medicamentos oferecida por colega. Caso é investigado pela Delegacia da Criança e do Adolescente.

 

Mãe relata bullying antes de adolescente ingerir mistura "Purple Drank" que o levou à UTI no Ceará
Conhecida como “Purple Drank” ou “lean”, a mistura costuma associar álcool a medicamentos com efeito sedativo, principalmente antialérgicos e xaropes. Foto: Reprodução / TV Cidade Fortaleza.

 

A mãe do adolescente de 15 anos internado em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) após ingerir uma mistura de álcool com medicamentos dentro de uma escola particular de Fortaleza afirmou que o filho vinha sofrendo bullying nas semanas anteriores ao caso. Segundo ela, o estudante passou a ser acusado por colegas de denunciar alunos que utilizavam vape dentro da instituição de ensino.

Em entrevista concedida ao jornalista Luiz Esteves, da TV Cidade Fortaleza, a mulher relatou que o filho chegou a comentar em casa sobre a pressão que vinha sofrendo. “Mamãe, meus colegas estão me acusando”, contou a mãe ao reproduzir uma fala do adolescente.

Leia também: Polícia Militar do Ceará entrega medalhas e promove agentes por bravura em cerimônia de 191 anos

O caso ocorreu após o estudante consumir uma mistura apontada pelas investigações como um coquetel de álcool e medicamentos sedativos, conhecido popularmente como “Purple Drank” ou “lean”. O adolescente segue internado sob monitoramento médico em Fortaleza.

Adolescente teria sofrido acusações dentro da escola

De acordo com a mãe, o filho não mantinha amizade nem rivalidade anterior com o colega apontado como responsável por oferecer a bebida. Ela afirmou que o adolescente passou a enfrentar dificuldades após boatos envolvendo o uso de cigarro eletrônico dentro da escola.

Segundo o relato, espalhou-se entre os estudantes a informação de que o garoto teria entregado nomes de colegas que utilizavam vape na instituição.

A mulher disse que tentou acompanhar a situação junto à coordenação da escola e percebeu mudanças no comportamento do filho nos últimos dias.

Ela afirmou ainda que o colega teria começado a oferecer medicamentos ao adolescente durante a semana. “Na quarta, o colega ofereceu medicação mais forte e, na quinta, disse que tinha trazido uma fórmula que ia resolver a vida dele e que tinha que tomar”, relatou.

Ainda segundo a mãe, o jovem aceitou ingerir a mistura após ouvir que aquilo “ia fazer bem”, “mudar a vida dele” e “trazer os amigos de volta”.

Mistura continha álcool e mais de 10 medicamentos

A família só descobriu o conteúdo ingerido após o marido da mulher retornar à escola para buscar informações sobre o caso.

Segundo ela, colegas entregaram um papel encontrado no lixo com os ingredientes utilizados na mistura.

“Era gin e mais de 10 tipos de medicação com quantidades variadas nessa mistura”, afirmou.

As investigações indicam que o estudante teria consumido um coquetel envolvendo bebida alcoólica e medicamentos antialérgicos. Especialistas alertam que esse tipo de combinação pode provocar intoxicação grave e comprometer o funcionamento do sistema nervoso central.

Após ingerir o conteúdo dentro da sala de aula, o adolescente apresentou sintomas como desorientação, sonolência intensa, alteração de comportamento e perda do controle motor.

“Alguns minutos após, dentro da sala de aula, ele ingeriu e poucos minutos depois adormeceu na cadeira”, disse a mãe.

Segundo ela, o professor não estava na sala naquele momento. Colegas acionaram a coordenação após perceberem que o estudante passava mal.

Estudante segue internado em UTI em Fortaleza

O adolescente continua hospitalizado em uma UTI e segue sob observação médica. A mãe informou que o filho ficou 24 horas desacordado após o episódio.

“Precisa ainda retirar medicações que estão mantendo a frequência cardíaca estável para que possa, de fato, ser considerado estável”, explicou.

Ela também afirmou que o jovem correu risco de morte. “Sem dúvida, com certeza. Foi vítima de tentativa de homicídio”, declarou durante a entrevista.

Até o momento, não houve divulgação oficial sobre previsão de alta hospitalar.

Polícia investiga circunstâncias do caso

A ocorrência foi registrada na Delegacia da Criança e do Adolescente (DCA), responsável pela investigação.

Segundo a mãe, a família foi orientada a formalizar rapidamente a denúncia para evitar novos casos semelhantes.

“Providências estão sendo tomadas na Delegacia da Criança e do Adolescente”, afirmou.

Ela disse ainda que os investigadores se comprometeram a apurar o caso e identificar responsabilidades.

Até o momento, não há informações oficiais sobre eventuais medidas disciplinares adotadas pela escola em relação aos envolvidos.

Escola acionou familiares e registrou ocorrência

Em nota, a instituição de ensino informou que identificou rapidamente que o aluno estava passando mal e acionou os familiares e atendimento médico.

A escola também comunicou que registrou boletim de ocorrência e está colaborando com as autoridades responsáveis pela apuração.

A unidade afirmou ainda que não divulgará novos detalhes sobre o caso em respeito aos envolvidos e ao andamento das investigações.

O que é o “Purple Drank” e quais os riscos

Conhecida como “Purple Drank” ou “lean”, a mistura costuma associar álcool a medicamentos com efeito sedativo, principalmente antialérgicos e xaropes.

Segundo especialistas, o consumo pode causar complicações graves, como confusão mental, tremores, arritmias cardíacas, depressão respiratória, perda de consciência e risco de morte.

O caso também ampliou o debate sobre o consumo recreativo de medicamentos entre adolescentes e os riscos da circulação desse tipo de conteúdo em ambientes escolares.

Médico alerta para mistura de álcool com medicamentos

O médico Bruno Cavalcante alerta para os riscos da combinação entre bebidas alcoólicas e medicamentos sedativos. Segundo ele, o álcool já atua como depressor do sistema nervoso central e pode ter seus efeitos potencializados quando associado a substâncias presentes em medicamentos antialérgicos.

O especialista explicou ainda que adolescentes tendem a ser mais vulneráveis a intoxicações graves por apresentarem menor tolerância fisiológica aos efeitos dessas substâncias.


(Portal GCMais)