Zootecnista falou ao Diário do Nordeste sobre as possiveis causas da má-formação do animal.
Um leitão nasceu com seis patas e dois quadris nessa segunda-feira (15), no bairro Messejana, em Fortaleza. A má-formação do animal foi classificada pelo zootecnista e professor de Medicina Veterinária, Doutor Rhamon Costa e Silva, como “Anomalia congênita severa” e “Monstruosidade fetal isolada”.
O caso foi registrado pelo proprietário da porca gestora, Jerfsson Oliveira Venuto, encarregado geral de obra. Ao Diário do Nordeste, o profissional relatou que essa é a primeira ninhada da fêmea e que não havia visto algo parecido antes.
“Seis horas da manhã já tinha parido um [...] Mais de 10 horas ela não tinha parido [outro] de jeito nenhum, fiz uma massagem nela, fui me deitar [...] Quando fui olhar, ela já tinha esses dois bichos num só. Nunca tinha visto. Ela tá ali sofrendo ainda não conseguiu parir mais”, contou Jerfsson.
VEJA: ‘Monstruosidade fetal isolada’: porco nasce com seis patas e dois quadris em Fortaleza
— Diário do Nordeste (@diarioonline) June 16, 2026
Zootecnista falou ao Diário do Nordeste sobre as possiveis causas da má-formação do animal. pic.twitter.com/fotighTWUn
Jerfsson afirmou que reprodutor não tinha parentesco com a genitora, e que o animal está com a vacinação em dia.
“O cruzamento desses dois animais é totalmente diferente, não são parentes. A alimentação deles é saudável, aplico a medicação correta para verme, vitamina, tudo direitinho, não tem nada demais. Pariu um normalzinho de manhã e pariu esse aí. Ela só pariu esses três bichos”, disse ainda o proprietário.
Sobre o caso, o prof. Dr. Rhamon Costa e Silva preparou ao Diário do Nordeste um relatório sobre o fenômeno, apontando que o exemplar analisado apresenta um quadro complexo de defeitos congênitos múltiplos.
As características são:
- esvaziamento/exposição de vísceras; (gastrosquise/esquistossomia);
- deformação severa de membros (dactilia anômala);
- dismorfia crânio-facial.
HIPÓTESES
“Em suinocultura, a ocorrência de anomalias em ninhadas de primeiro parto (leitoas) exige atenção. Três frentes principais devem ser investigadas para determinar a origem do problema”, apontou Rhamon Costa e Silva. As hipóteses do especialista são:
Fatores genéticos e consanguinidade
Rhamon explica que a linhagem Pietrain é submetida a uma forte pressão de seleção artificial para o ganho de massa muscular magra. O cruzamento entre parentes próximos (consanguinidade) pode promover o encontro de genes recessivos deletérios, desencadeando monstruosidades fetais.
Causas infecciosas (falhas sanitárias)
Infecções virais que atingem a matriz durante o terço inicial da gestação — período crítico de formação dos órgãos dos fetos (organogênese) — são causas frequentes de natimortos e deformidades. Os principais patógenos suspeitos incluem:
- Parvovirose suína e circovirose suína (PCV2/PCV3).
- Vírus da PRRS (Síndrome Reprodutiva e Respiratória Suína) ou Peste Suína Clássica (PSC).
Fatores ambientais e nutricionais
- Toxicidade alimentar: Rações contaminadas por micotoxinas (como Zearalenona ou Fumonisinas) ingeridas na fase inicial da prenhez.
- Deficiências e medicamentos: Carência severa de vitaminas (como a Vitamina A) ou o uso inadequado de manejos terapêuticos (vermífugos/anti-inflamatórios) em períodos proibidos da gestação.
RECOMENDAÇÕES
Ainda em seu relatório, o prof. Dr. Rhamon Costa e Silva trouxe recomendações para mitigar novos casos e proteger o status sanitário da granja nessas situações.
- Avaliação crítica da leitegada: Monitorar se o defeito foi isolado ou se outros leitões nasceram com baixo peso, tremores ou natimortalidade. Se o restante da leitegada estiver saudável, ganha força a hipótese de um acidente vascular/genético isolado nesse feto.
- Auditoria do calendário sanitário: Revisar rigorosamente o protocolo de vacinação das matrizes antes da cobertura.
- Controle de linhagem: Rastrear a árvore genealógica do cachaço e da leitoa para descartar parentesco.
(Diário do Nordeste)