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Após laudo da Pefoce descartar abuso sexual de bebê em Fortaleza, defesa diz que resultado muda rumo da investigação

Advogada reforçou que seu cliente sempre negou qualquer participação no suposto estupro inicialmente investigado.

 

Após laudo da Pefoce descartar abuso sexual de bebê em Fortaleza, defesa diz que resultado muda rumo da investigação
Após laudo da Pefoce descartar abuso sexual de bebê em Fortaleza, defesa diz que resultado muda rumo da investigação. (Foto: Reprodução).

 

A divulgação do laudo da Pefoce sobre a morte da bebê Helena, de 10 meses, levou a defesa de um dos investigados a afirmar que a conclusão pericial confirma a versão sustentada desde o início do caso. A advogada Grace Kelly Leitão, que representa um dos presos, declarou que os exames descartam a ocorrência de violência sexual e reforçou que seu cliente sempre negou qualquer participação no suposto estupro inicialmente investigado.

Em manifestação divulgada após a conclusão dos exames, a advogada afirmou que o laudo é "muito claro" ao apontar que não houve estupro da criança. Segundo ela, o resultado demonstra a importância de aguardar a produção das provas periciais antes de conclusões definitivas e evidencia os impactos do julgamento antecipado nas redes sociais.

Grace Kelly também disse que o seu cliente foi exposto publicamente como culpado por um crime grave antes da conclusão da investigação. A advogada afirmou ainda que, desde o início, sustentava que o cliente sequer estava no quarto onde a bebê se encontrava no momento dos fatos e que sempre acreditou nas provas reunidas durante o inquérito.

Na mesma declaração, a defesa afirmou que o laudo confirma a morte por asfixia e reiterou a tese de que outro investigado, identificado como Levi, teria provocado a compressão da criança ao deitar sobre a cama em estado de embriaguez. Segundo a advogada, esse entendimento altera completamente a condução do caso, que, em sua avaliação, deve ser tratado como homicídio culposo, quando não há intenção de matar.

O que aponta o laudo da Pefoce

Em nota oficial, a Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce) informou que concluiu os exames cadavéricos e laboratoriais realizados no corpo da bebê, morta na última segunda-feira (13).

Conforme o laudo cadavérico, a causa da morte foi asfixia mecânica indireta.

Os exames laboratoriais também descartaram a presença de álcool e drogas nas amostras de sangue coletadas da criança.

Além disso, a perícia informou que não foram encontrados vestígios de sêmen nem material genético dos dois homens investigados no corpo da bebê.

O exame sexológico concluiu ainda que não houve violência sexual, afastando a principal suspeita que motivou as prisões em flagrante logo após a ocorrência.

Polícia explica por que suspeitos foram presos inicialmente

Após a divulgação dos laudos, a Polícia Civil do Estado do Ceará esclareceu que as prisões em flagrante dos dois homens, de 22 e 26 anos, foram realizadas com base nas informações constantes no Protocolo de Encaminhamento de Corpos elaborado pela unidade hospitalar particular onde a bebê foi atendida.

Segundo a corporação, o documento registrava que a criança havia sido assistida por quatro médicos da emergência pediátrica e dois cardiologistas.

Ainda conforme a Polícia Civil, o protocolo informava que, após o óbito, havia sido observada uma laceração anal, além de indicar suspeita de morte por asfixia associada a abuso sexual.

Essas informações fundamentaram a autuação em flagrante e direcionaram a linha inicial das investigações conduzidas pela Delegacia de Combate à Exploração da Criança e do Adolescente (Dececa).

Investigação passa a tratar caso como homicídio culposo

Com a conclusão dos laudos periciais e o avanço das diligências policiais, a Polícia Civil informou que a investigação passou por uma reavaliação.

De acordo com a corporação, os exames produzidos pela Pefoce descartaram a ocorrência de violência sexual contra a bebê.

A partir das provas periciais reunidas, a Dececa passou a tratar o caso como homicídio culposo, hipótese em que não há intenção de matar.

A mudança representa uma alteração significativa na linha investigativa adotada inicialmente, que havia sido baseada nas informações preliminares encaminhadas pela unidade hospitalar responsável pelo atendimento da criança.

A investigação segue sob responsabilidade da Polícia Civil, que continua apurando as circunstâncias que levaram à morte da bebê e as responsabilidades dos envolvidos à luz das conclusões periciais e das demais provas reunidas durante o inquérito.

 

(Portal GCMais)