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CGD abre investigação para apurar conduta de delegados no caso da plantação de maconha em Acopiara

São investigadas supostas falhas na custódia da plantação, que teve parte deixada intacta e sem supervisão, na semana passada. 

 

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Legenda: Governador visitou plantação de pés de maconha e garantiu que tudo seria incinerado. Foto: Rosane Gurgel/Casa Civil.

 

Dois delegados de Polícia Civil se tornaram alvos de Procedimento Administrativo Disciplinar (PAD) que visa apurar a conduta dos agentes na possível falha de custódia da plantação de 290 mil pés de maconha encontrados em Acopiara, no interior do Ceará. O Diário do Nordeste solicitou um posicionamento à CGD, mas não obteve retorno. 

Nesta quinta-feira (2), o governador Elmano de Freitas confirmou a investigação e disse que a CGD vai "apurar responsabilidades". "Se o delegado tem responsabilidade ou não, quem vai dizer é a apuração", pontuou, em coletiva de imprensa na sede da Delegacia Geral, durante evento de entrega de celulares furtados e roubados. 

Censo de justiça exige prudência e serenidade para apurar fatos, para a gente julgar com justiça. Evidentemente que nós temos questões a serem apuradas; elas serão apuradas, elas serão esclarecidas e, se tiver, claro, o responsável por algum ato ilegal, será punido por isso

Além disso, o governador defendeu que eventuais condutas erradas de alguns agentes não devem "macular a imagem da instituição". Ele reforçou ainda "absoluto apoio" às forças de segurança e destacou resultados recentes positivos dos indicadores criminais. 

A Assessoria Jurídica da Associação dos Delegados de Polícia Civil do Ceará (Adepol-CE) informou, em nota, que solicitou acesso aos autos. "Não nos pronunciaremos sobre a questão de fundo enquanto não obtivermos amplo acesso, mas adiantamos estranhar que se tenha instaurado já um processo administrativo-disciplinar ao invés de uma sindicância, que, na nossa percepção, seria mais adequada. A apuração ainda está numa fase germinativa e compreendemos que o PAD representa, data venia, uma precipitação, afinal, não se deve meramente se encontrar um culpado, mas esclarecer o fato em toda sua amplitude sob todos os seus ângulos. Não admitiremos que transformem determinado associado no para-raio do evento em apuração", disse o advogado Leandro Vasques, assessor Jurídico da Adepol.

Governador foi ao local da plantação

Uma denúncia feita pelo deputado federal André Fernandes iniciou a investigação no último domingo (28). Ele publicou vídeos que mostravam diversos pés de maconha ainda preservados, quando a lei obriga a custódia e incineração da droga. 

Nesta semana, o governador Elmano de Freitas foi presencialmente na última segunda-feira (29) ao local onde a droga foi encontrada, em uma fazenda de Acopiara, para supervisionar o terreno e a destruição da droga. O terreno foi arrendado para um terceiro por um fazendeiro e empresário da região. Ambos já estão identificados pela Polícia Civil.

"Houve uma denúncia e, no meu entender, a denúncia é muito grave, de que, aqui, teria havido negligência para que o crime pudesse atuar e até levar algum bem daqui. Nós vamos apurar absolutamente tudo. Não vamos passar a mão na cabeça de ninguém. E quero pedir ao deputado que ele tenha a honra de poder, em depoimento, dizer que autoridade teria ligado para suspender o trabalho da Polícia Civil aqui. [...] Nossa determinação é enfrentar o crime de maneira implacável", disse Elmano.

O governador disse, no dia, que a "Polícia não sai daqui enquanto não destruir toda essa plantação”.

Associação de delegados defendeu 'apuração rigorosa' 

Em nota, após a divulgação da investigação da custódia dos procedimentos, a Associação dos Delegados de Polícia Civil do Estado do Ceará (Adepol/CE) informou defender uma "apuração rigorosa, pautada pela legalidade e pela transparência, bem como guiada pela imparcialidade, serenidade e razoabilidade, visando à busca da verdade, e não somente à identificação de um culpado".

"É preciso que a falha institucional, admitida pela Delegacia-Geral da Polícia Civil, não seja particularizada, devendo haver claro discernimento sobre a natureza sistêmica, e não individual, do problema. É notório que a custódia de um elevado volume de entorpecentes e de uma extensa área de plantação demanda considerável aparato estrutural e humano, não sendo viável a atribuição de tal responsabilidade a um pequeno contingente local", pontuou nota. 

 

(Diário do Nordeste)