O filhote morreu aproximadamente duas semanas após o nascimento.
Consciência da perda ou esperança na vida, o que faz uma mãe carregar por dias o corpo do filhote morto? No caso do golfinho fêmea Fraggle, o amor materno tem resistido às águas geladas do inverno no Estuário de Leschenault, localizado na região sudoeste da Austrália Ocidental.
Nesta semana, imagens da mãe carregando seu filhote morto há dias emocionou internautas. No vídeo, ela sustenta o pequeno corpo com seu bico sendo acompanhada por sua comunidade, que parece compartilhar o luto em um velório frio e sem tempo para terminar.
A manobra realizada por Fraggle se assemelha ao comportamento epimelético, que tem sido registrado em algumas espécies de mamíferos aquáticos pelo mundo, conforme o Guia Comportamento de Peixes-Bois, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).
O documento explica que o fenômeno se caracteriza por um animal adulto (sozinho ou em grupo) permanecer “prestando cuidados” para um outro indivíduo (geralmente filhote neonato) em situação com agonizante ou de grave ferimento.
O cuidador mantém o ferido na superfície da água, carregando-o e aparentemente protegendo o animal de situações consideradas perigosas pelo animal, ainda de acordo com o estudo.
PESQUISA
As imagens do animal foram registradas por um grupo de pesquisadores voluntários do Centro de Pesquisa Marinha de Geographe (GMR).
Os cientistas acompanham a Baía de Geographe, localizada a cerca de 220 quilômetros de Perth, capital da Austrália Ocidental, desde 2021.
Ao Diário do Nordeste, a organização explicou que tem monitorando os golfinhos do estuário desde a sua formação, mas também utilizam dados históricos coletados por outros pesquisadores ao longo das duas décadas anteriores.
“Essa fêmea já criou filhotes com sucesso anteriormente [...] Esse filhote morreu aproximadamente duas semanas após o nascimento, como infelizmente acontece com muitos deles”, disse ainda o GMR.
SOBRE O BEBÊ DE FRAGGLE
Em publicação no Instagram, o GMR explicou que sabia que ter um filhote durante o inverno seria um grande desafio para a sobrevivência, mas ainda tinham esperança de que Fraggle tivesse a chance de ser mãe novamente.
Infelizmente, ela agora perdeu seus últimos quatro filhotes
“Ao observarmos recentemente que o filhote apresentava uma frequência respiratória elevada, infelizmente já imaginávamos que esse dia estava chegando”, explicou ainda a entidade na legenda da publicação.
A GMR explicou também que os golfinhos costumam carregar seus filhotes mortos durante um período de luto, que pode durar muitos dias. Em algum momento, porém, a mãe precisa deixá-lo partir para poder voltar a se alimentar e sobreviver.
Como apenas um pequeno grupo de golfinhos vive no estuário, raramente temos a oportunidade de presenciar o nascimento de filhotes e, mesmo quando isso acontece, a taxa de sobrevivência é baixa. Neste dia, ao que tudo indica, alguns de seus companheiros que vivem no oceano se juntaram aos golfinhos residentes do estuário para compartilhar o luto ao seu lado, demonstrando o forte vínculo familiar que existe entre eles
(Diário do Nordeste)
