Audiência de Antoneudo Ribeiro, apontado como companheiro da policial Júlia Nathalia, foi encerrada nesta quinta-feira (13); custódia dela ainda não aconteceu

Antoneudo Ribeiro teve a prisão temporária decretada após audiência de custódia realizada nesta quinta-feira (13), no âmbito da investigação sobre a morte do soldado da Polícia Militar do Ceará Raphael Sampaio da Silva, de 27 anos. A audiência de Antoneudo já foi encerrada, enquanto a da policial militar Júlia Nathalia Girão Gomes, também investigada no caso, ainda não aconteceu. Júlia permanece presa em flagrante por homicídio.
Raphael foi encontrado morto dentro de um veículo incendiado na região do Ancuri, na divisa entre Fortaleza e Itaitinga, na manhã da última terça-feira (11). Exames realizados pela Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce) apontaram que o policial sofreu disparos de arma de fogo enquanto ainda estava vivo e, posteriormente, teve o corpo carbonizado.
A investigação é conduzida pela Delegacia de Homicídios Contra Agentes de Segurança Pública (DHASP), que busca esclarecer a dinâmica do crime, a participação individual dos investigados e a motivação para a morte do soldado.
Antoneudo Ribeiro tem prisão temporária decretada
A audiência de custódia de Antoneudo Ribeiro ocorreu nesta quinta-feira (13) e terminou com a decretação da prisão temporária. A medida ocorre durante a investigação sobre a morte de Raphael Sampaio e não representa, por si só, uma conclusão definitiva sobre a participação do investigado no homicídio.
A partir de agora, Antoneudo permanece submetido à medida cautelar enquanto a Polícia Civil dá continuidade à apuração. Os investigadores ainda trabalham para esclarecer quais circunstâncias relacionam o suspeito ao caso e qual teria sido sua eventual participação na morte do soldado.
Antoneudo é apontado como companheiro da policial militar Júlia Nathalia Girão Gomes. Conforme informações divulgadas pela Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), ele possui registros relacionados a crimes como estelionato, falsa identidade, lavagem ou ocultação de bens, direitos e valores, integrar organização criminosa, receptação e posse irregular de arma de fogo de uso permitido.
A existência desses registros criminais anteriores é uma informação atribuída à SSPDS e não representa, por si só, uma conclusão sobre a participação de Antoneudo na morte de Raphael.
A investigação também deve analisar depoimentos, imagens de câmeras de segurança, informações de localização e outros elementos reunidos pela Polícia Civil para reconstruir a sequência dos acontecimentos.
Júlia Nathalia segue presa e ainda aguarda audiência de custódia
A policial militar Júlia Nathalia Girão Gomes foi presa em flagrante e autuada por homicídio durante o avanço das diligências relacionadas à morte de Raphael. Até o momento, a audiência de custódia dela ainda não havia sido realizada nesta quinta-feira (13).
Antes de ser presa, Júlia havia sido encontrada amarrada às margens da BR-116, em Aquiraz. Posteriormente, ela foi localizada na sede do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), onde acabou presa.
Durante a madrugada desta quinta-feira, a policial também passou mal enquanto estava custodiada no presídio militar. Segundo informações obtidas pela equipe de reportagem da TV Cidade Fortaleza, Júlia foi levada para atendimento de emergência em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) no bairro Pirambu, em Fortaleza.
Ela foi medicada e, após ser estabilizada, recebeu alta médica e retornou ao presídio militar.
Até o momento, não havia confirmação de que o atendimento médico tenha alterado formalmente o cronograma judicial ou provocado o adiamento da audiência de custódia da policial.
Situação dos investigados
- Antoneudo Ribeiro: teve a prisão temporária decretada após audiência de custódia nesta quinta-feira (13);
- Júlia Nathalia Girão Gomes: está presa em flagrante por homicídio;
- Audiência de custódia de Júlia: ainda não realizada até a última atualização;
- Investigação: conduzida pela DHASP;
- Vítima: soldado Raphael Sampaio da Silva, de 27 anos.
O que a perícia apontou sobre a morte de Raphael Sampaio
Raphael foi encontrado morto dentro de um veículo incendiado na região do Ancuri, na divisa entre Fortaleza e Itaitinga, na terça-feira (11).
Os exames realizados pela Pefoce apontaram que o soldado sofreu disparos de arma de fogo enquanto ainda estava vivo. Depois, o corpo foi carbonizado.
A informação pericial é um dos elementos considerados na investigação para determinar a sequência dos acontecimentos. A Polícia Civil ainda precisa esclarecer onde ocorreram os disparos, quem estava com Raphael no momento da ação e como o veículo foi levado até o local onde acabou incendiado.
A perícia também poderá contribuir para esclarecer questões relacionadas à trajetória dos tiros e às circunstâncias da morte.
Família relata relacionamento entre Raphael e Júlia
A família de Raphael apresentou novas informações sobre a relação entre o soldado e Júlia. A tia dele, Rosilane Sampaio, que também é advogada da família, afirmou nesta quinta-feira que os dois mantinham um relacionamento amoroso.
Segundo Rosilane, Raphael estaria emocionalmente envolvido com a policial e teria alterado a própria rotina de trabalho para permanecer mais tempo próximo dela. A familiar relatou que ele passou a assumir plantões adicionais e que chegou a receber orientação para interromper a relação e preservar o casamento.
Rosilane também afirmou que os dois teriam se encontrado dentro do banheiro do batalhão onde trabalhavam. A advogada contestou ainda a versão de que Raphael e Júlia não mantinham vínculo e relatou que o soldado teria contado à família sobre uma carona oferecida pela policial.
Essas informações foram apresentadas pela família e ainda precisam ser confrontadas com os demais elementos da investigação. Elas não representam, por si só, uma conclusão sobre a motivação ou a dinâmica do homicídio.
Família levanta hipótese sobre os disparos
Rosilane também afirmou não descartar a possibilidade de Júlia ter participado diretamente dos disparos que mataram Raphael. Segundo a advogada, essa hipótese poderá ser esclarecida a partir dos exames periciais, especialmente por meio da análise da trajetória dos tiros e das posições ocupadas pelas pessoas dentro ou nas proximidades do veículo.
A familiar afirmou que ainda não teve acesso completo aos exames e mencionou a informação de que Raphael teria sido atingido por dois tiros na cabeça. Ela ressaltou, porém, que esse dado precisa ser confrontado com os resultados oficiais da perícia.
A hipótese apresentada pela família não significa que a autoria dos disparos esteja definida. A Polícia Civil ainda investiga quem efetuou os tiros, onde eles ocorreram e quem estava presente no momento da ação.
Outro ponto sob investigação é a sequência entre os disparos e a carbonização. Conforme a Pefoce, Raphael sofreu lesões provocadas por arma de fogo quando ainda estava vivo e o corpo foi carbonizado posteriormente.
Investigação busca reconstruir cronologia da morte
A Polícia Civil também analisa imagens de câmeras de segurança relacionadas à movimentação de Júlia. Entre os elementos mencionados pela família está um registro que mostra a policial em uma oficina às 8h52. O estabelecimento está ligado a Antoneudo Ribeiro.
Rosilane apontou ainda uma possível divergência envolvendo o horário em que o Centro Integrado de Operações de Segurança (Ciops) teria sido acionado para comunicar a situação envolvendo Júlia. Segundo o relato da advogada, o acionamento teria ocorrido por volta do meio-dia.
Esses horários ainda precisam ser confrontados pelos investigadores com imagens de segurança, depoimentos, dados de localização e outros elementos que possam estabelecer a sequência dos acontecimentos.
A família de Raphael também trabalha com a hipótese de que o soldado tenha sido vítima de uma emboscada. Rosilane afirmou que ele costumava manter a arma de serviço próxima ao corpo e citou uma situação em que Raphael foi buscá-la no aeroporto durante a madrugada e dirigia com a arma entre as pernas.
A informação é apresentada pela família como parte da hipótese sobre as circunstâncias do crime, mas não permite, isoladamente, determinar como o homicídio aconteceu.
A investigação deverá esclarecer quem estava no veículo, de onde partiram os disparos, como Raphael foi levado até o local onde o automóvel foi incendiado e qual teria sido a participação de cada investigado.
(Portal GCMais)