Mulher de 54 anos foi baleada após passar por um julgamento criminoso e sobreviveu ao fingir estar morta; Polícia Civil investiga a participação de outros suspeitos

Uma ex-síndica de 54 anos foi baleada em uma tentativa de execução em Pacajus, na Região Metropolitana de Fortaleza, após ser suspeita de denunciar o tráfico de drogas no condomínio onde morava. A mulher sobreviveu depois de fingir estar morta e foi abandonada em um córrego pelos agressores, que acreditavam que ela havia morrido. Dois suspeitos de participação no crime, uma mulher de 43 anos e o filho dela, de 28, foram presos pela Polícia Civil do Ceará no domingo (18).
Os suspeitos são Meyriane da Silva Alves, apontada pela polícia como mandante da tentativa de homicídio, e Francisco Davi da Silva Bezerra, investigado por participação direta na ação. Segundo as investigações, os dois são apontados como lideranças de uma organização criminosa que atua na região. A mulher tem antecedentes criminais por tráfico de drogas, enquanto o filho responde criminalmente por crimes contra a dignidade sexual.
O ataque ocorreu em 20 de setembro deste ano. A vítima teria sido considerada suspeita de fornecer informações à polícia sobre o comércio de drogas no residencial, especialmente após a realização de operações policiais na região. Ela negou ter feito qualquer denúncia.
Vítima foi retirada de casa e submetida a interrogatório
De acordo com as investigações da Delegacia de Pacajus, a ex-síndica foi retirada do apartamento onde morava e levada para os fundos do condomínio. No local, ela foi submetida ao chamado “tribunal do crime”, procedimento utilizado por grupos criminosos para interrogar e julgar pessoas consideradas suspeitas de descumprir suas regras.
Durante o interrogatório, os envolvidos vasculharam o celular da mulher em busca de possíveis informações que pudessem sustentar a suspeita de que ela havia denunciado o tráfico de drogas. Mesmo após negar qualquer participação em denúncias à polícia, a vítima permaneceu sob o controle dos suspeitos.
Pelo menos três pessoas teriam participado desse julgamento criminoso, entre elas Francisco Davi. Após o interrogatório, os envolvidos realizaram uma chamada de vídeo com Meyriane da Silva Alves, que conversou com a ex-síndica. Na sequência, segundo a investigação, a morte da vítima foi determinada.
Arma falhou durante tentativa de disparo na cabeça
Depois da decisão, Francisco Davi e os outros suspeitos levaram a mulher para uma área de mata nas proximidades do residencial. No local, ela foi atingida por pelo menos um disparo de arma de fogo.
Os envolvidos tentaram atirar novamente, desta vez na cabeça da vítima, mas a arma falhou. Ferida, a mulher fingiu estar morta. Diante da falha no segundo disparo, os suspeitos desistiram de continuar atirando e abandonaram a vítima em um córrego próximo, acreditando que ela não havia sobrevivido.
Assim que os agressores se afastaram, a ex-síndica conseguiu fugir e procurar ajuda. Ela recebeu os primeiros atendimentos em uma unidade de saúde de Pacajus e, posteriormente, foi transferida para o Instituto Dr. José Frota (IJF), em Fortaleza.
Depois do ataque, a mulher registrou um Boletim de Ocorrência (BO) junto à Polícia Civil. O registro deu início às diligências que levaram à identificação e à prisão dos dois suspeitos.
Polícia Civil prende suspeitos em Pacajus
A Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE) cumpriu dois mandados de prisão no domingo (18), no próprio município de Pacajus. A operação contou com o apoio do Núcleo Operacional (NO) do Departamento de Polícia Judiciária Metropolitana (DPJM).
Meyriane, de 43 anos, é apontada como mandante do crime. Francisco Davi, de 28, é suspeito de participar diretamente da tentativa de execução. Após as capturas, os dois foram conduzidos à Delegacia de Pacajus, onde foram realizados os procedimentos cabíveis. Em seguida, ficaram à disposição do Poder Judiciário.
A Polícia Civil informou que as investigações continuam para localizar outros possíveis envolvidos e esclarecer as circunstâncias do caso. A apuração também busca detalhar a motivação do crime, que, segundo as informações investigativas, teria sido desencadeado pela suspeita de que a ex-síndica havia denunciado o tráfico de drogas no condomínio.
A mulher sobreviveu ao ataque após fingir estar morta e conseguiu pedir socorro depois que os suspeitos deixaram o local. Os dois presos são investigados por participação na tentativa de homicídio registrada em 20 de setembro, em Pacajus.
Denúncias para a polícia
A população pode contribuir com investigações das forças de segurança do estado do Ceará repassando informações que auxiliem os trabalhos policiais. As informações podem ser direcionadas para o número 181, o Disque-Denúncia da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), ou para o (85) 3101-0181, que é o número de WhatsApp, pelo qual podem ser feitas denúncias via mensagem, áudio, vídeo e fotografia ou ainda via "e-denúncias", o site do serviço 181, por meio do endereço eletrônico: https://disquedenuncia181.sspds.ce.gov.br/.
As informações também podem ser encaminhadas para os telefones (85) 3101-7347/(11)98161-3522 da Delegacia Municipal de Pacajus. O sigilo e o anonimato são garantidos.
(Portal GCMais)