A coluna especial, para realçar ainda mais esse clima de copa do mundo do Brasil 2014
Vamos direto para a copa de 1954 na Suíça
Alemães operam milagre em Berna
Quatro anos depois de o Uruguai silenciar o Maracanã, outra surpresa
marcou a decisão da Copa do Mundo da FIFA 1954. A Alemanha Ocidental
conquistou o título mundial na Suíça, encerrando os 31 jogos de
invencibilidade da fortíssima seleção húngara em uma final que ficou
marcada como o "milagre de Berna".
Foi um feito tão impressionante quanto a dimensão dos Alpes Suíços. Os
alemães se recuperaram de uma desvantagem de dois gols para fazerem 3 a 2
na Hungria, que havia vencido o confronto entre os dois países na
primeira fase por 8 a 3. Jules Rimet, que deixava a presidência da FIFA,
entregou o troféu com o seu nome a Fritz Walter, e o mundo do futebol
aprendeu uma nova e importante lição: nunca, jamais descarte os alemães.
O Major Galopante
A Hungria chegou à Copa do Mundo da FIFA 1954 com o título não oficial de melhor seleção do mundo. Campeã olímpica em 1952, ela teve 23 vitórias e quatro empates nos quatro anos anteriores à competição na Suíça. Entre os triunfos, uma inesquecível goleada de 6 a 3 sobre a Inglaterra em novembro de 1953, tornando-se o primeiro país estrangeiro a vencer em Wembley. A maior estrela húngara era Ferenc Puskás, o "Major Galopante", com a temível perna esquerda forjada no Honved, time do exército húngaro.
A seleção comandada por Gusztáv Sebes tinha jogadores de extremo talento. Além de Puskás, destacavam-se os atacantes Sándor Kocsis e Nándor Hidegkuti e o meia József Bozsik. A Hungria jogou um futebol ofensivo e cheio de movimentação que estava à frente do seu tempo, com Hidegkuti atuando atrás de Puskás e Kocsis em um protótipo do 4-2-4. Os húngaros se prepararam para o torneio estraçalhando a Inglaterra por 7 a 1 em Budapeste e marcaram 17 gols nas suas duas vitórias da primeira fase, com 9 a 0 contra a Coreia do Sul e 8 a 3 sobre a Alemanha Ocidental. Mas este último resultado acabou não contando toda a verdade entre as duas seleções.
A Hungria chegou à Copa do Mundo da FIFA 1954 com o título não oficial de melhor seleção do mundo. Campeã olímpica em 1952, ela teve 23 vitórias e quatro empates nos quatro anos anteriores à competição na Suíça. Entre os triunfos, uma inesquecível goleada de 6 a 3 sobre a Inglaterra em novembro de 1953, tornando-se o primeiro país estrangeiro a vencer em Wembley. A maior estrela húngara era Ferenc Puskás, o "Major Galopante", com a temível perna esquerda forjada no Honved, time do exército húngaro.
A seleção comandada por Gusztáv Sebes tinha jogadores de extremo talento. Além de Puskás, destacavam-se os atacantes Sándor Kocsis e Nándor Hidegkuti e o meia József Bozsik. A Hungria jogou um futebol ofensivo e cheio de movimentação que estava à frente do seu tempo, com Hidegkuti atuando atrás de Puskás e Kocsis em um protótipo do 4-2-4. Os húngaros se prepararam para o torneio estraçalhando a Inglaterra por 7 a 1 em Budapeste e marcaram 17 gols nas suas duas vitórias da primeira fase, com 9 a 0 contra a Coreia do Sul e 8 a 3 sobre a Alemanha Ocidental. Mas este último resultado acabou não contando toda a verdade entre as duas seleções.
Na fase inicial, em cada grupo de quatro países, os dois
cabeças-de-chave enfrentavam somente as duas outras seleções e não
jogavam entre si. Assim, o técnico da Alemanha, Sepp Herberger, foi para
o jogo contra a Hungria sabendo que poderia perder e ainda assim se
classificar em segundo lugar se derrotasse em um jogo extra a outra
cabeça-de-chave, a Turquia, que os alemães já tinham vencido por 4 a 1.
Herberger fez sete mudanças, assistiu a uma sonora goleada, mas levou
uma equipe muito mais forte a vencer por 7 a 2 o jogo extra diante da
Turquia para chegar às quartas-de-final.
Chuva de gols
Com 41 gols somente no grupo da Hungria, a competição em solo suíço foi a edição da Copa do Mundo da FIFA com o maior número de gols marcados. Em 26 jogos, as redes balançaram 140 vezes, com uma média superior a cinco por partida. Outro recorde foi o de 12 gols em apenas um jogo, no confronto entre Suíça e Áustria nas quartas-de-final. Os donos da casa fizeram 3 a 0 em 19 minutos, tomaram cinco gols em um período de apenas dez minutos antes do intervalo e acabaram perdendo por 7 a 5.
Mesmo com a chuva de gols, os estreantes Coreia do Sul e Escócia saíram zerados na lanterna dos respectivos grupos. A Escócia levou 7 a 0 do Uruguai, que provou ser o carrasco britânico ao eliminar a Inglaterra nas quartas-de-final em um jogo que contou com a experiência de Obdulio Varela e Stanley Matthews, ambos com 39 anos. Apesar da categoria de Matthews, foi o Uruguai que venceu por 4 a 2. Tanto Varela quanto Schiaffino, autor de um dos gols da final de 1950, deixaram as suas marcas entre os artilheiros da partida.
O adversário seguinte do Uruguai seria o vencedor do confronto das quartas-de-final entre Hungria e Brasil. Os brasileiros usavam pela primeira vez a famosa camisa canarinho, escolhida em um concurso nacional. Mas a esperança de conquistar o primeiro título mundial acabou após um encontro turbulento que ficou conhecido como a "batalha de Berna". Kocsis, que depois viria a ser o goleador da competição com 11 gols, balançou a rede duas vezes na vitória húngara por 4 a 2. O jogo ficou marcado por cartões vermelhos para Bozsik e para os brasileiros Nílton Santos e Humberto, além de uma briga já nos vestiários.
Duas cabeçadas de Kocsis na prorrogação ajudaram a Hungria a obter um resultado idêntico na semifinal diante do Uruguai. A Celeste Olímpica, que havia conquistado as duas únicas Copas do Mundo da FIFA que disputara, conseguiu se recuperar de uma desvantagem de 2 a 0 com dois gols de Juan Holberg, mas no fim teve de aceitar a sua primeira derrota na história da maior competição do futebol mundial. Enquanto os húngaros enfrentavam dois duelos dilacerantes, a Alemanha Ocidental avançava à final sem maiores dificuldades, derrotando a Iugoslávia por 2 a 0 e tirando de letra a vizinha Áustria por 6 a 1. Nesta última partida, os irmãos Fritz e Ottmar Walter marcaram dois gols cada um.
Com 41 gols somente no grupo da Hungria, a competição em solo suíço foi a edição da Copa do Mundo da FIFA com o maior número de gols marcados. Em 26 jogos, as redes balançaram 140 vezes, com uma média superior a cinco por partida. Outro recorde foi o de 12 gols em apenas um jogo, no confronto entre Suíça e Áustria nas quartas-de-final. Os donos da casa fizeram 3 a 0 em 19 minutos, tomaram cinco gols em um período de apenas dez minutos antes do intervalo e acabaram perdendo por 7 a 5.
Mesmo com a chuva de gols, os estreantes Coreia do Sul e Escócia saíram zerados na lanterna dos respectivos grupos. A Escócia levou 7 a 0 do Uruguai, que provou ser o carrasco britânico ao eliminar a Inglaterra nas quartas-de-final em um jogo que contou com a experiência de Obdulio Varela e Stanley Matthews, ambos com 39 anos. Apesar da categoria de Matthews, foi o Uruguai que venceu por 4 a 2. Tanto Varela quanto Schiaffino, autor de um dos gols da final de 1950, deixaram as suas marcas entre os artilheiros da partida.
O adversário seguinte do Uruguai seria o vencedor do confronto das quartas-de-final entre Hungria e Brasil. Os brasileiros usavam pela primeira vez a famosa camisa canarinho, escolhida em um concurso nacional. Mas a esperança de conquistar o primeiro título mundial acabou após um encontro turbulento que ficou conhecido como a "batalha de Berna". Kocsis, que depois viria a ser o goleador da competição com 11 gols, balançou a rede duas vezes na vitória húngara por 4 a 2. O jogo ficou marcado por cartões vermelhos para Bozsik e para os brasileiros Nílton Santos e Humberto, além de uma briga já nos vestiários.
Duas cabeçadas de Kocsis na prorrogação ajudaram a Hungria a obter um resultado idêntico na semifinal diante do Uruguai. A Celeste Olímpica, que havia conquistado as duas únicas Copas do Mundo da FIFA que disputara, conseguiu se recuperar de uma desvantagem de 2 a 0 com dois gols de Juan Holberg, mas no fim teve de aceitar a sua primeira derrota na história da maior competição do futebol mundial. Enquanto os húngaros enfrentavam dois duelos dilacerantes, a Alemanha Ocidental avançava à final sem maiores dificuldades, derrotando a Iugoslávia por 2 a 0 e tirando de letra a vizinha Áustria por 6 a 1. Nesta última partida, os irmãos Fritz e Ottmar Walter marcaram dois gols cada um.
"Clima Fritz Walter"
A final foi disputada em um encharcado Estádio Wankdorf no dia 4 de julho de 1954. As condições do tempo eram um bom presságio para a Alemanha Ocidental, pois o capitão e meio-campista artilheiro Fritz Walter tinha notórios problemas com o calor após ter sofrido com a malária durante a guerra. Os torcedores alemães comemoraram o que chamaram de "clima Fritz Walter".
Por sua vez, a Hungria tinha dúvidas sobre as condições físicas de Puskás, que não participara das duas partidas anteriores após ter o tornozelo acertado por Werner Liebrich justamente no primeiro encontro com a Alemanha Ocidental. Mesmo sem totais condições, Puskás abriu o placar aos seis minutos. Aos oito, os favoritos já faziam 2 a 0 após o goleiro alemão Toni Turek largar a bola nos pés de Zoltán Czibor. No entanto, só foram necessários mais dez minutos para os alemães empatarem. O primeiro gol veio com uma finalização de Morlock no segundo pau. Depois foi Rahn quem concluiu um escanteio cobrado por Fritz Walter.
A chuva seguiu torrencial, a tensão aumentou e somente a trave impediu o gol de Hidegkuti. Mas, faltando somente seis minutos, Rahn pegou a bola na entrada da área e chutou de perna esquerda no ângulo. Ainda houve tempo para Puskás ter um gol anulado pelo bandeirinha antes de o apito final confirmar a derrota da Hungria e o nascimento de uma nova potência mundial.
A final foi disputada em um encharcado Estádio Wankdorf no dia 4 de julho de 1954. As condições do tempo eram um bom presságio para a Alemanha Ocidental, pois o capitão e meio-campista artilheiro Fritz Walter tinha notórios problemas com o calor após ter sofrido com a malária durante a guerra. Os torcedores alemães comemoraram o que chamaram de "clima Fritz Walter".
Por sua vez, a Hungria tinha dúvidas sobre as condições físicas de Puskás, que não participara das duas partidas anteriores após ter o tornozelo acertado por Werner Liebrich justamente no primeiro encontro com a Alemanha Ocidental. Mesmo sem totais condições, Puskás abriu o placar aos seis minutos. Aos oito, os favoritos já faziam 2 a 0 após o goleiro alemão Toni Turek largar a bola nos pés de Zoltán Czibor. No entanto, só foram necessários mais dez minutos para os alemães empatarem. O primeiro gol veio com uma finalização de Morlock no segundo pau. Depois foi Rahn quem concluiu um escanteio cobrado por Fritz Walter.
A chuva seguiu torrencial, a tensão aumentou e somente a trave impediu o gol de Hidegkuti. Mas, faltando somente seis minutos, Rahn pegou a bola na entrada da área e chutou de perna esquerda no ângulo. Ainda houve tempo para Puskás ter um gol anulado pelo bandeirinha antes de o apito final confirmar a derrota da Hungria e o nascimento de uma nova potência mundial.
Fatos Rápidos
- Equipes: 16
- Quando: 16 Junho 1954 a 04 Julho 1954
- Final: 04 Julho 1954
- Jogos: 26
- Gols: 140 (média 5.4 por partida)
- Público: 768607 (média 29561)

