Nova Délhi, 16 dez 2014 (AFP) - A segurança das mulheres na Índia não
melhorou desde o estupro coletivo que matou uma estudante de Nova Délhi
há dois anos e comoveu o mundo - é o que dizem os pais da vítima, nesta
terça-feira.
Vigílias e atos públicos em prol da segurança das
mulheres ocorreram em Nova Délhi para marcar o segundo aniversário do
ataque, que alavancou uma onda de indignação pela situação da violência
contra mulheres na Índia.
A mãe da estudante de 23 anos disse
estar devastada pelos ainda altos índices de ataques a mulheres, apesar
de leis mais duras contra os estupradores.
"Ataques ocorrem todos os dias", disse a mãe, que não pode ser identificada por questões legais, à rede de televisão NDTV.
"Vendo notícias diárias sobre violência contra mulheres, tenho a impressão de que nada mudou".
Uma
pesquisa publicada nesta terça-feira disse que 91% das mulheres não
sentiu qualquer melhora na segurança apesar das medidas tomadas após o
estupro coletivo - incluindo melhor policiamento, um disque-denúncia
exclusivo para mulheres, tribunais mais céleres e a nova legislação.
A
pesquisa, encomendada pelo jornal Hindustan Times, ouviu 2.557 mulheres
e mostrou que 97% das entrevistadas relatou já ter sido alvo de algum
tipo de violência sexual.
A estudante de fisioterapia foi
brutalmente atacada por seis homens após entrar em um ônibus quando
voltava para casa, em 16 de dezembro de 2012.
A estudante, que
também foi atacada com uma barra de ferro, morreu 13 dias depois em
decorrência dos graves ferimentos - mas conseguiu relatar o ocorrido à
polícia.
A brutalidade do crime desencadeou uma série de protestos no país.
Quatro
dos seis agressores foram julgados e condenados à pena de morte em
setembro de 2013, depois que o caso foi acelerado. Um menor, que também
participou do estupro coletivo, levou uma pena correcional.
Outro criminoso se suicidou na cadeia.
O
caso chamou atenção para a forma como as mulheres são tratadas na
Índia, e levou a iniciativas para educar os homens sobre respeito e
igualdade de gêneros, em uma sociedade extremamente patriarcal.
Ativistas
dizem, contudo, que o caso ocorrido neste mês - em que uma passageira
foi agredida por um motorista de táxi com um histórico de violência
sexual - mostra que a Índia ainda tem um longo caminho pela frente.
Longe
da programação que marca os dois anos da morte da jovem, o pai da
vítima pediu uma mudança coletiva de postura em relação às mulheres.
"O
governo mudou as leis, mas só isso não resolve. Para que as coisas
mudem, a sociedade como um todo precisa mudar a forma como trata e olha
as mulheres", disse o pai à AFP.
"Este triste aniversário é
obviamente um dia de muita dor para nós. Todas aquelas lembranças ruins
afloram. Esperamos apenas que os assassinos da nossa filha estejam
mortos antes do próximo do próximo ano".
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Fonte: Uol Notícias
