Wigberto, suspeito de agredir mulher em Niterói, tocou violão na delegacia.
Segundo músicos da região, ele tocou com Celso Blues Boy e Tim Maia.
O ex-baterista Wigberto Rodrigues da Silva, que tem problemas psiquiátricos e é suspeito de agredir pessoas nas ruas de Niterói, foi acolhido na manhã desta quinta-feira (9) em uma ação das secretarias de Ordem Pública (Seop), Saúde e Assistência Social de Niterói.
Guardas municipais o encontraram e o encaminharam para 77ª DP (Icaraí), onde as secretarias de Saúde e Assistência Social foram informadas. Segundo a Seop, Wigberto estava calmo, segurava um disco do Roberto Carlos e aceitou acompanhar os guardas sem resistir. Na delegacia, ficou tranquilo, tocando violão levado por profissionais da Saúde Mental.
Guardas municipais o encontraram e o encaminharam para 77ª DP (Icaraí), onde as secretarias de Saúde e Assistência Social foram informadas. Segundo a Seop, Wigberto estava calmo, segurava um disco do Roberto Carlos e aceitou acompanhar os guardas sem resistir. Na delegacia, ficou tranquilo, tocando violão levado por profissionais da Saúde Mental.
Segundo a prefeitura de Niterói, o
instrumento foi levado para facilitar a aproximação e, após um primeiro
atendimento, o músico foi encaminhado ao Hospital Psiquiátrico de
Jurujuba, onde será avaliado e receberá acompanhamento e tratamento
necessários.
“Já tinha uma denúncia de agressão contra ele e como eu vinha passando pela Domingues de Sá, eu avistei ele. Já até ouvi comentários da população dizendo que ele é agressivo, mas não vi nada de agressividade nele.
“Já tinha uma denúncia de agressão contra ele e como eu vinha passando pela Domingues de Sá, eu avistei ele. Já até ouvi comentários da população dizendo que ele é agressivo, mas não vi nada de agressividade nele.
Ele está lúcido,
com perfil tranquilo, respondendo bem. Trouxemos ele pra delegacia por
conta do registro que existe contra ele. A polícia levantou a ficha e
disse que só há uma queixa contra ele e não podem permanecer com ele na
delegacia”, disse o guarda municipal Carlos Alberto Santos, que
encontrou o músico na rua.
Baterista dos anos 80 vira morador de rua em Niterói (Foto: Reprodução/Internet)
'Swing nas mãos'
Wigberto ficou conhecido nos anos 1980 pelo talento e “swing nas mãos” tocando com músicos que fazem sucesso até hoje. Artistas da região afirmam que Wigberto participou de diversos shows com referências da música brasileira como Celso Blues Boy e Tim Maia. Ele também, segundo amigos, fez uma participação no filme 'Bete Balanço', escrito e dirigido por Lael Rodrigues e estrelado por Débora Bloch em 1984.
Wigberto ficou conhecido nos anos 1980 pelo talento e “swing nas mãos” tocando com músicos que fazem sucesso até hoje. Artistas da região afirmam que Wigberto participou de diversos shows com referências da música brasileira como Celso Blues Boy e Tim Maia. Ele também, segundo amigos, fez uma participação no filme 'Bete Balanço', escrito e dirigido por Lael Rodrigues e estrelado por Débora Bloch em 1984.
Amigos e conhecidos lamentam a situação atual do baterista. O também
músico Zélly Mansur, de 53 anos, mora em Angola atualmente, mas viveu em
Niterói por 35 anos. Durante muito tempo foi amigo de Wigberto e fizeram shows juntos na noite da cidade. Ele afirmou ao G1 que após algumas brigas familiares, o companheiro chegou a se hospedar na sua casa por volta de quatro meses.
Wigberto andava pelas ruas da Zona Sul de Niterói nesta quarta (Foto: Matheus Rodrigues/ G1)
“Eu prometi duas semanas, mas ele acabou ficando quatro meses, tive até
problemas com meus pais que começaram a reclamar. Depois de um tempo
que ele saiu lá de casa, ele foi para a rua e a cabeça dele foi
desparafusando devagar. Então ele foi perdendo a sequência lógica de
raciocínio e começava a se perder nos assuntos. Ele realmente tinha
muitos problemas pessoais e depois foi para a rua. Tornou uma bola de
neve gigante”, disse Mansur.
Agressão
Na segunda-feira (6), uma jovem de 16 anos foi empurrada da bicicleta enquanto se preparava para ir à escola, por volta das 7h, como antecipou o o site do "Jornal de Niterói". Wigberto é suspeito e teria sido inclusive flagrado num vídeo de circuito de segurança. A mãe da vítima, Karla Ribeiro, afirmou que ele teria dado um soco na adolescente e corrido em seguida, sem tentar roubar nada.
Na segunda-feira (6), uma jovem de 16 anos foi empurrada da bicicleta enquanto se preparava para ir à escola, por volta das 7h, como antecipou o o site do "Jornal de Niterói". Wigberto é suspeito e teria sido inclusive flagrado num vídeo de circuito de segurança. A mãe da vítima, Karla Ribeiro, afirmou que ele teria dado um soco na adolescente e corrido em seguida, sem tentar roubar nada.
“Ele está descontrolado, a princípio ele não tinha atacado ninguém até
então. Ele deu o soco e fugiu. Ele não pegou nada da minha filha,
falaram que ele era baterista de uma banda e começou a morar na rua. É
um perigo ter ele desse jeito na rua”, contou.
Polícia Civil informou que as investigações estão em andamento para
apurar as circunstâncias da agressão. A vítima foi ouvida e agentes
realizam diligências em busca de informações que ajudem a identificar a
autoria.
O G1 percorreu padarias que ele costuma pedir café da
manhã, pontos que ele costuma frequentar e conheceu a psicóloga Angélica
Blanchart. Ela acompanhou o caso de Wigberto há alguns anos e disse que
o ex-paciente nunca foi agressivo, mas tem algumas complicações
mentais.
“Eu tenho medo que as pessoas entendam errado, porque se acharem ele
vão prender, levar ele para a cadeia e podem até bater nele. A polícia
tinha que pegar ele e levar para algum lugar onde ele possa se tratar.
Ele não é bandido ou criminoso, ele é doente e precisa de ajuda. Quem
achar ele, tem que chamar o SAMU e pedir para levar para algum lugar
onde podem tratar dele”, afirmou Angélica.
Lucimara afirmou que homem pediu caderno e
caneta para escrever música (Foto: Matheus
Rodrigues/ G1)
caneta para escrever música (Foto: Matheus
Rodrigues/ G1)
Wigberto foi encontrado na quarta-feira (8) na Rua Moreira César em
frente a um prédio. Muitos moradores da região já conheciam ele e
paravam para perguntar como ele estava já que apresentava alguns
machucados no rosto. Após alguns minutos, a terapeuta ocupacional
Lucimara Pinheiro, de 53 anos, foi surpreendida ao tentar oferecer
ajuda.
“Eu ofereci dinheiro para ele comer alguma coisa, mas ele me
pediu um caderno e uma caneta. Eu não entendi e ele disse que ia
escrever uma música para mim. Eu não sabia que ele é músico, Também me
pediu uma Coca-Cola, mas pediu para eu comprar porque não deixam ele
entrar na padaria”, afirmou a moradora de Icaraí.
Último tratamento
Luiz Adriano Godoy, de 42 anos, é psicólogo do Centro de Atendimento Psicossocial (Caps) Herbert de Souza – instituição que faz parte da saúde pública de Niterói - e foi a última pessoa que acompanhou o tratamento do músico. Ele afirmou que “ele recebia um tratamento, mas não ficava internado. Quando ele voltou para a rua nunca mais voltou. Ele está sumido [do Caps], mas precisa sair da rua”.
Luiz Adriano Godoy, de 42 anos, é psicólogo do Centro de Atendimento Psicossocial (Caps) Herbert de Souza – instituição que faz parte da saúde pública de Niterói - e foi a última pessoa que acompanhou o tratamento do músico. Ele afirmou que “ele recebia um tratamento, mas não ficava internado. Quando ele voltou para a rua nunca mais voltou. Ele está sumido [do Caps], mas precisa sair da rua”.
*Sob supervisão de José Raphael Berrêdo
Homem anda com caderno que ganhou para compor música (Foto: Matheus Rodrigues/ G1)
Fonte: G1
