02 de novembro é o dia de Finados, um dia de muita saudade e de refletir a morte e seus mistérios. Quando desencarnamos, falecemos para onde vamos afinal, além claro da matéria, da carne que é sepultada? Existe vida após a morte? São questionamentos recrudescidos nesse período de fortes lembranças daqueles que partiram desta para o desconhecido.
A nossa reportagem fez uma visita nesta quinta-feira ao cemitério de Ipu, para vê de perto os preparativos para o dia de Finados. Os parentes dos mortos que ali estão sepultados realizam os reparos necessários nas covas, sepulcros, catacumbas e ou túmulos para o dia de maior visitação coletiva ao local; 02 de novembro.
Me deparei com situações curiosas que merecem o nosso registro, primeiro: O povo de fé deste município há muito tempo já elegeu o santo ipuense, o simplório "Damião Pezão", seu sepulcro é o mais visitado, onde centenas de velas são acesas, e os chamados milagres são deixados, réplicas de pés, pernas, mãos, braços, cabeças, etc, feitos de gesso madeira ou material similar, simbolizando a parte do corpo humano onde o milagre aconteceu.
Outra peculiaridade é a praça do cemitério que foi deixada quase terminada pela a ex gestão municipal e até hoje não foi concluída pela a atual gestão, a praça que mais parece uma obra de arte, pela sua projeção, falta muito pouco para a conclusão; apenas a pavimentação, a jardinagem e a pintura. Moradores e pessoas de outros lugares que encontrei por lá fazem essa cobrança.
Outro fato curioso é que o nome oficial do cemitério de Ipu na realidade não é Cemitério São Sebastião e sim Cemitério de Nossa Senhora do Carmo, de acordo com as pesquisas e os arquivos do professor Francisco Melo.
Acompanhe um pouco da história dessa figura folclórica, exótica de Ipu; "Damião Pezão", que continua obrando milagres, e porquanto é considerado um santo pelas pessoas de fé de Ipu e possivelmente de outros lugares. Professor Francisco Melo compartilha conosco através de entrevista do que tem nos seus arquivos, nos seus alfarrábios sobre "Damião Pezão":
DAMIÃO PESÃO figura das mais exóticas da nossa Ipu. Damião era gêmeo com Cosmo.
Durante toda sua vida no Ipu, foi perambular pelas ruas durante o dia e também à noite sempre mendigando alguma coisa para sua sofrida subsistência.
Durante toda sua vida no Ipu, foi perambular pelas ruas durante o dia e também à noite sempre mendigando alguma coisa para sua sofrida subsistência.
Gostava de tomar uma cachaça e cantar nas altas horas da noite.
Era um homem alto de feições empalidecidas, moreno de andar lento e cabisbaixo.
Tocava violão e sua voz nas caladas da noite era ouvida em toda cidade.
Dizem, surrava sua mãe impiedosamente. Gostava de lugares lúgubres como o Cemitério e outros recantos sombrios que se prestavam para práticas sexuais com o próprio corpo.
Nas suas andanças conduzia sempre uma cadela por nome “sereia”, que lhe acompanhava como aquele verdadeiramente cão fiel, em todas as suas andanças.
Toda vez que Damião era indagado por qualquer coisa respondia “somos
Nós”.
Certa vez uma pessoa disse: Damião você é corno. E não foi outra a resposta, - SOMOS NÓS, o indagado não gostou e mandou dá-lo uma grande surra.
A sua morte aconteceu quanto o mesmo estava tomando umas vacinas contra Raiva, quando foi mordido por um Cão. Mesmo sabendo que deveria ficar de abstinência alcoólica tomou a sua “cachacinha” e não deu outra, Damião passou mal e em conseqüência veio falecer.
Ainda foi levado em uma carroça para o Posto de Saúde já chegando à
presença do médico, morto. O médico que Atendeu o Damião foi o Dr..
Ivanir de Araújo Corrêa, renomado médico de nossa Ipu quando era o
Chefe da Unidade Sanitária de Ipu., a FSESP.
Hoje o seu túmulo é por demais freqüentado no Cemitério local, pois lá existe uma parte reservada somente para ser colocado as peças que representam as curas milagrosas alcançadas pela alma de Damião.
Hoje o seu túmulo é por demais freqüentado no Cemitério local, pois lá existe uma parte reservada somente para ser colocado as peças que representam as curas milagrosas alcançadas pela alma de Damião.

