Mais de 100 pessoas foram mortas em diversos ataques na noite de sexta. François Hollande declarou emergência e prometeu 'luta implacável'.

Mulher é socorrida após tiroteio perto do Bataclan, conhecida
sala de espetáculos de Paris, na França (Foto: Christian
Hartmann/Reuters)

Terroristas morreram durante a invasão da polícia à casa de shows
Bataclan, em Paris, onde mais de 100 pessoas eram mantidas como reféns e
dezenas foram mortas.
Segundo a prefeitura de Paris, 112 pessoas foram mortas numa série de
ataques da noite de sexta (13), sendo 70 no Bataclan. É o pior ataque à
França na história recente.
O chefe de polícia de Paris, Michel Cadot, afirmou que, quando a
polícia invadiu o local, quatro terroristas se suicidaram, detonando
explosivos que três deles tinham em seus cintos. Ele afirmou ainda,
segundo o jornal britânico "The Guardian", que antes de entrar no local
os homens dispararam tiros de metralhadoras em cafés que ficam do lado
de fora do Bataclan.
A emissora de TV BFM e o jornal Liberation, que cita o procurador de
Paris, François Molins, dizem que cinco terroristas foram
"neutralizados" no total.
Também foram registrados tiroteios em outros pontos da cidade e explosões perto do Stade de France, durante um amistoso entre as seleções da França e Alemanha.
O jornal “Le Monde” diz que uma fonte judicial especificou onde
aconteceram as mortes desta sexta, em um balanço provisório: uma pessoa
morreu no boulevard Voltaire, 19 morreram e 14 ficaram feridas em frente
ao bar La Belle Equipe, na Rue de Charonne, 78 ou 79 pessoas morreram
no Bataclan (entre elas três ou quatro terroristas), cinco pessoas
morreram e oito ficaram feridas na Rue de la Fontaine au Roi, de 12 a 14
morreram e dez ficaram feridas no bar Carillon, na Rue Allibert, e dois
homens morreram nas explosões próximas ao Stade de France, ambos
suicidas que provocaram as detonações.
A polícia invadiu o Bataclan às 21h40 (horário de Brasília), após
relatos de que pessoas estariam sendo executadas. Dois terroristas foram
mortos na ação. Dez minutos antes da invasão, a Reuters afirmava que
foram ouvidas cinco explosões perto do local.
Por volta da 1h30 (22h30, em Brasília), o presidente francês François
Hollande chegou ao local, onde permaneceu por cerca de meia hora. “Há
muitos feridos, feridos graves, feridos chocados com o que viram”, disse
o presidente, ao justificar porque quis ir ao local. “Quando os
terroristas estão dispostos a cometer tais atrocidades, eles devem saber
que irão encarar uma França determinada”, acrescentou. “Iremos conduzir
a luta (contra os terroristas), e ela será implacável”, garantiu.
A casa fica no boulevard Voltaire, no 11º arrondissement, tem
capacidade para 1.500 pessoas e era palco de um show da banda Eagles of
the Death Metal. A banda postou no Facebook: “Ainda estamos tentando
determinar a segurança e o paradeiro da nossa banda e equipe. Nossos
pensamentos estão com todas as pessoas envolvidas nesta situação
trágica”
A banda, que na hora do início do ataque terminava o show no palco do
Bataclan, escapou do palco pelos bastidores e está a salvo, segundo
afirmou o irmão de um dos membros, Michael Dorio. O irmão dele, Julian
Dorio, é o baterista do grupo. Em entrevista à CNN, Michael disse que os
músicos chegaram a ver os atiradores, mas encerraram o show quando
notaram o ataque e fugiram. “Quando eles ouviram os tiros eles apenas
correram para o backstage. Ele me disse que viu os atiradores, mas não
ficou por ali”, explicou Dorio.
Homem
é socorrido após tiroteio perto do Bataclan, conhecida sala de
espetáculos de Paris, na França (Foto: Christian Hartmann/Reuters)
O jornal também citou o relato de um jornalista da "Europe1", que
estava no interior do Bataclan nesta noite: "Vários indivíduos armados
entraram no meio do show", afirmou. "Dois ou três indivíduos não
mascarados entraram com armas automáticas do tipo kalachnikov e
começaram a atirar no público". O jornalista disse, ainda, que a ação
durou de 10 a 15 minutos e que os atiradores eram jovens.

Um usuário do Facebook postou que estava dentro da casa de shows
Bataclan. “Feridos graves! Estão atacando mais rápido. Há sobreviventes
no interior. Eles estão assassinando todo mundo. Um por um. No primeiro
andar, rápido!”, escreveu Benjamin Cazenoves. Em seguida ele postou que
há "cadáveres por todo lado". "É um massacre".
O repórter Julien Pearce estava no Bataclan como espectador do show. Em
entrevista à CNN, ele contou como conseguiu escapar da casa de shows.
Segundo ele, no momento em que os terroristas
começaram a atirar no público, ele teve a ideia de se fingir de morto. "Falei para as pessoas deitarem e se passarem por mortos. Nós esperamos até que eles recarregassem as armas, então corremos e achamos uma pequena sala onde nos escondemos", explicou ele.
começaram a atirar no público, ele teve a ideia de se fingir de morto. "Falei para as pessoas deitarem e se passarem por mortos. Nós esperamos até que eles recarregassem as armas, então corremos e achamos uma pequena sala onde nos escondemos", explicou ele.
Pearce não explicou quantas pessoas estavam com ele nessa sala, mas
disse que ela não dava passagem para fora do edifício, então o grupo
esperou dentro da sala até que os atiradores esvaziassem novamente as
armas.
"Então esperamos cerca de cinco segundos. Eles começaram a atirar, e
depois nós corremos de novo. Foi então que eu vi o corpo de uma mulher,
ela tinha levado dois tiros. Eu a levantei e nós corremos juntos",
contou a testemunha. Já na rua, Pearce conseguiu parar um táxi e foi com
a mulher até o hospital. "Não sei se ela sobreviveu, ela estava
sangrando muito."
Segundo o repórter, a segurança na entrada do show não era rígida. “Eu
entreguei o ingresso e entrei. Ninguém me revistou. A segurança era
muito pobre”, disse ele.
Ao jornal "Le Figaro", uma testemunha contou que viu dois homens
armados entrarem no Bataclan. "Eles estavam armados, vestidos
normalmente: eles atiraram no exterior e no interior da sala", afirmou a
testemunha.
Uma testemunha do aatque disse à rádio France Info que os atiradores
dispararam contra o público gritando “Alá Akbar” (“Alá é grande”, em
português). “Eu e minha mãe conseguimos fugir do Batacla (...), evitamos
os disparos, havia muita gente por todas as partes no solo”, disse o
jovem chamado Louis. “Uns indivíduos chegaram, começaram a disparar na
entrada. Dispararam contra a mulidão gritando ‘Alá Akbar’, acho que com
espingardas”.
Corpos
de mortos em ataque a tiros no restaurante La Belle Equipe são vistos
entre mesas, com sangue na calçada em frente ao estabelecimento em Paris
(Foto: Anne Sophie Chaisemartin via AP)
Restaurante
Charlotte Brehaut é uma britânica que saiu para jantar com um amigo perto da casa em mora, em Paris. “Estava com um amigo e sentamos bem na janela de onde os tiros vieram, e eles não atingiram nenhum de nós”, explicou ela à CNN. Charlotte estima que cerca de 40 pessoas estavam no local.
Charlotte Brehaut é uma britânica que saiu para jantar com um amigo perto da casa em mora, em Paris. “Estava com um amigo e sentamos bem na janela de onde os tiros vieram, e eles não atingiram nenhum de nós”, explicou ela à CNN. Charlotte estima que cerca de 40 pessoas estavam no local.
“Fui jantar com meu amigo, de repente ouvimos um monte de tiros, e
muitos cacos de vidro vindo da janela, então nos jogamos no chão com os
outros clientes. Então ouvimos mais tiros, e muitos pedaços afiados de
viro atingiam as pessoas no chão”, contou ela, que estima que o ataque
durou entre dois ou três minutos, “mas pareceu muito mais longo”.
Charlotte diz que acredita ter visto pessoalmente entre três ou quatro
pessoas com “feridas fatais”. “Eu estava segurando a mão de uma mulher.
Quando comecei a perguntar para as pessoas se elas estavam bem, foi
então que percebi que ela tinha sido ferida fatalmente. Ela foi atingida
no peito”, disse ela. A jovem não sabe dizer se a mulher estava ou não
viva, por causa do choque e da confusão. “Estava segurando a mão dela,
alguém me perguntou se ela estava respirando, e eu olhei para ela e vi
uma poça de sangue do lado dela. Eu achei que ela talvez estivesse
consciente, mas as pessoas estavam em choque, então não sei.”
Estado de emergência
O presidente francês, François Hollande, afirmou em declaração em rede nacional que está declarado estado de emergência em toda a França e que os controles nas fronteiras serão reforçados. A presidência também anunciou que 1.500 soldados serão enviados a Paris.
O vice-prefeito de Paris, Patrick Krugman, afirmou que vários ataques aconteceram ao mesmo tempo. Ele disse que houve "entre seis e sete locais de ataques no centro de Paris e fora.
O presidente francês, François Hollande, afirmou em declaração em rede nacional que está declarado estado de emergência em toda a França e que os controles nas fronteiras serão reforçados. A presidência também anunciou que 1.500 soldados serão enviados a Paris.
O vice-prefeito de Paris, Patrick Krugman, afirmou que vários ataques aconteceram ao mesmo tempo. Ele disse que houve "entre seis e sete locais de ataques no centro de Paris e fora.
EM RESUMO
- Explosões próximo ao Stade de France, em Paris, durante jogo entre as seleções da França e Paris
- Pelo menos três tiroteios aconteceram em outros pontos da cidade
- A prefeitura parisiense afirmaram que há 112 mortos, sendo 70 deles na casa de espetáculos Bataclan. A polícia fala que há dezenas de feridos em outros pontos da cidade
- Obama se pronunciou a favor da França dizendo que os EUA estão prontos para ajudar a França a "responder" ao ocorrido
- Pelo menos três tiroteios aconteceram em outros pontos da cidade
- A prefeitura parisiense afirmaram que há 112 mortos, sendo 70 deles na casa de espetáculos Bataclan. A polícia fala que há dezenas de feridos em outros pontos da cidade
- Obama se pronunciou a favor da França dizendo que os EUA estão prontos para ajudar a França a "responder" ao ocorrido
- O presidente da França, François Hollande, declarou em rede
nacional que o país vai declarar estado de emergência e que as
fronteiras serão fechadas. Cinco linhas de metrô de Paris estão fechadas
- Segundo a assessoria do Itamaraty, há dois brasileiros feridos nos atentados
- Polícia francesa invadiu a sala de concertos do Bataclan e mata dois terroristas
- Segundo a assessoria do Itamaraty, há dois brasileiros feridos nos atentados
- Polícia francesa invadiu a sala de concertos do Bataclan e mata dois terroristas
- O vice-prefeito de Paris afirmou que houve "entre seis e sete locais de ataques no centro de Paris e fora"
Alerta
A polícia emitiu um alerta, pedindo que os parisienses não deixem suas casas, "a não ser em caso de absoluta necessidade". Lugares públicos devem reforçar a segurança nas entradas e acolher aqueles que estiverem em necessidade. A polícia também ordenou que se interrompam as manifestações e eventos em áreas externas.
A polícia emitiu um alerta, pedindo que os parisienses não deixem suas casas, "a não ser em caso de absoluta necessidade". Lugares públicos devem reforçar a segurança nas entradas e acolher aqueles que estiverem em necessidade. A polícia também ordenou que se interrompam as manifestações e eventos em áreas externas.
Em Paris, os hospitais entraram em "Plano Branco", um estado de
emergência e crise, segundo o "Le Monde". Cinco linhas de metrô tiveram
seus serviços interrompidos.
Segundo a BBC, um homem usando uma arma automática abriu fogo no
restaurante Petit Cambodge no 10º arrondissement, deixando ao menos sete
feridos. A Reuters afirma que duas pessoas morreram ali.
O presidente da França, François Hollande, fala sobre os ataques simultâneos em Paris (Foto: Reprodução/Reuters)
Um repórter do "Liberation" que estava no local disse ter visto ao
menos quatro corpos no chão. Já o repórter da BBC contou dez pessoas
deitadas, sem conseguir identificar se estariam mortas ou feridas.
Diversas ambulâncias já chegaram.
Um segundo tiroteio teve como cenário o bar "Le Carillon", segundo o
Liberation. Na sequência, outro tiroteio foi registrado no 11º
arrondissement.
Explosões no estádio
A BBC, o Liberation e o "Le Monde" afirmam também que houve três explosões do lado de fora do Stade de France. O presidente francês, François Hollande, foi retirado do estádio por segurança levado à sede do Ministério do Interior, onde acompanha o caso. A agência France Presse diz que ao menos uma das explosões foi um ataque suicida.
A BBC, o Liberation e o "Le Monde" afirmam também que houve três explosões do lado de fora do Stade de France. O presidente francês, François Hollande, foi retirado do estádio por segurança levado à sede do Ministério do Interior, onde acompanha o caso. A agência France Presse diz que ao menos uma das explosões foi um ataque suicida.
Após o final do jogo, o público começou a ser liberado lentamente.
O presidente americano Barack Obama fez um pronunciamento em que disse
que a situação é “ultrajante” e que os EUA farão o que for possível para
ajudar a França. “Faremos o que for necessário pra trabalhar com os
franceses e as nações ao redor do mundo para buscar justiça”, disse.
“Não quero especular no momento quem é o responsável até que sejamos
informados pelas autoridades francesas que a situação está sob
controle”. Obama disse ainda que o que aconteceu foi "um ataque contra
toda a humanidade".
"Aqueles que acham que podem aterrorizar o povo da França e os valores
que eles representam estão errados", afirmou Obama, dizendo que os EUA
estão prontos para ajudar a França a "responder" ao ocorrido.
O primeiro-ministro britânico, David Cameron, escreveu em seu Twitter
uma mensagem em que diz: "Estou chocado pelos eventos em Paris nesta
noite. Nossos pensamentos e orações estão com os franceses. Faremos o
que for possível para ajudar".
Segundo a Reuters, oficiais de segurança dos Estados Unidos acreditam
que os ataques de Paris sejam coordenados. Já o vice-prefeito de Paris
afirmou que ainda é cedo para saber se os ataques foram coordenados, mas
que isso não pode ser descartado.
Rita Katz, diretora do SITE Intelligence Group, grupo de monitoramento do terrorismo, postou em seu perfil no Twitter que há especulações de que o Estado Islâmico esteja por trás dos ataques em Paris devido ao envolvimento da França em bombardeios contra o grupo na Síria.
Por enquanto, nenhum grupo assumiu a autoria dos ataques.
Katz citou duas mensagens que teriam sido divulgadas em “canais do Estado Islâmico”. Uma delas diz: “Lembrem-se, lembrem-se do dia 14 de novembro #Paris. Eles nunca vão esquecer esse dia, assim como o 11 de Setembro para os americanos”.
A outra afirma: “A França envia suas aeronaves com bombas para a Síria diariamente e mata crianças e idosos, hoje está bebendo do próprio veneno”.
Katz disse ainda que adeptos do Estado Islâmico estão celebrando os ataques na França e ameaçam: “Esse é apenas o começo. Esperem até os istishhadis (suicidas) chegarem em seus carros”. Ela citou também outra mensagem em canais do Estado Islâmico: “França: à medida que você mata você está sendo morta”; “Nós estamos chegando, França”.
Rita Katz, diretora do SITE Intelligence Group, grupo de monitoramento do terrorismo, postou em seu perfil no Twitter que há especulações de que o Estado Islâmico esteja por trás dos ataques em Paris devido ao envolvimento da França em bombardeios contra o grupo na Síria.
Por enquanto, nenhum grupo assumiu a autoria dos ataques.
Katz citou duas mensagens que teriam sido divulgadas em “canais do Estado Islâmico”. Uma delas diz: “Lembrem-se, lembrem-se do dia 14 de novembro #Paris. Eles nunca vão esquecer esse dia, assim como o 11 de Setembro para os americanos”.
A outra afirma: “A França envia suas aeronaves com bombas para a Síria diariamente e mata crianças e idosos, hoje está bebendo do próprio veneno”.
Katz disse ainda que adeptos do Estado Islâmico estão celebrando os ataques na França e ameaçam: “Esse é apenas o começo. Esperem até os istishhadis (suicidas) chegarem em seus carros”. Ela citou também outra mensagem em canais do Estado Islâmico: “França: à medida que você mata você está sendo morta”; “Nós estamos chegando, França”.
Ameaça
O hotel Molitor de Paris, onde está hospedada a seleção alemã de futebol, foi evacuado ao final da manhã desta sexta-feira (13) devido a um alerta de bomba.
Os jogadores alemães foram levados para outro hotel. Uma equipe especializada em explosivos esteve no local.
O hotel Molitor de Paris, onde está hospedada a seleção alemã de futebol, foi evacuado ao final da manhã desta sexta-feira (13) devido a um alerta de bomba.
Os jogadores alemães foram levados para outro hotel. Uma equipe especializada em explosivos esteve no local.
Equipe de resgate carrega um ferido perto da casa de espetáculos Bataclan, em Paris (Foto: Christian Hartmann/Reuters)
Público no campo do Stade de France após a série de ataques (Foto: Michel Euler/AP)
Policiais orientam as pessoas em frente ao Stade de France após ataque (Foto: Michel Euler/AP)
Corpos
de vítimas de tiroteio foram cobertos na calçada em frente a um
restaurante de Paris, na França (Foto: Philippe Wojazer/Reuters)
Fonte: G1