Dos 184 municípios cearenses, 26 (33,77%) apresentaram surto de
proliferação do mosquito Aedes aegypti - vetor das doenças dengue,
chikungunya e zika. Segundo o levantamento do Ministério da Saúde,
divulgado no Levantamento Rápido de Índice de Infestação para Aedes
aegypti (LIRAa), a cidade de Canindé apresenta o estado mais grave da
proliferação do mosquito, alcançando a marca do Índice de Infestação
Predial (IIP) em 16.
Da Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), o município de Caucaia
aparece com IIP em 4,4. A cidade de Maranguape é apontada com 2,2;
seguida de Fortaleza com índice 2, sendo consideradas como média
infestação do mosquito. O estudo também apresenta 33 municípios (42,86%)
em situação de média infestação e 23 (29,87%) com baixo índice.
O número recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) é
satisfatório quando fica abaixo de 1%, mostra situação de alerta quando
está no intervalo entre 1% e 3,9% e indica risco de surto quando é igual
ou superior a 4%. No último estudo, entre janeiro e o dia 8 de abril,
67 municípios do Ceará (36,4%) estavam em situação de risco ou alerta
para a dengue.
De acordo com o Ministério, 162 dos 184 municípios do Estado se
enquadram nesse critério, representando 50,62% do total. Bem mais do que
em 2015, quando os percentuais de municípios que realizaram o LIRAa
ficaram em 26,54%, 22,84% e 26,54% nos três levantamentos realizados no
ano.
Criadouros
Já a Secretaria de Saúde do Ceará (Sesa) registrou em levantamento os
principais criadouros identificados que encontram-se em caixas de água
ligadas à rede (15%), depósitos ao nível do solo (50,1%), depósitos
móveis (11,22%), depósitos fixos (12,19%), pneus e outros materiais
rodantes (1,8%), lixo (8,84%), depósitos naturais (0,47%). Durante as
vistorias, todos os focos que possuíam água no momento da visita
domiciliar foram examinados de forma cuidadosa, pois se constituem
criadouros potenciais para os mosquitos do gênero Aedes.
A bióloga e assessora técnica da Sesa, Ricristhi Gonçalves, afirma que
ainda existem problemas culturais e de distribuição irregular de água,
na Capital e Interior do Estado. "O que mais chama atenção nos
municípios é o abastecimento intermitente que se junta ao problema da
cultura do medo da falta de água, fazendo com que as pessoas guardem
tudo em baldes", pontua a especialista.
O presidente da Sociedade Cearense de Infectologia, o infectologista
Érico Arruda, acrescenta que o governo atua de forma positiva sobre as
ações de combate ao mosquito, mas nem sempre as instituição públicas
estão harmonicamente engajadas. Para o médico, é necessário rediscutir
um projeto de urbanização da cidade. "Precisamos repensar o sistema de
distribuição de água e também a coleta de lixo. A necessidade de uma
vacina eficaz também é uma realidade", conclui Érico.
A Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece) informou, por meio de
nota, empreender diversos esforços no combate ao Aedes aegypti em todas
as unidades da Companhia, como por exemplo, o Dia D de combate ao
mosquito, realizado todas as quartas-feiras em 151 municípios do Estado.
Disse, ainda, que nenhuma sede municipal atendida por ela ficou
desabastecida e que só orienta a reserva de água por parte dos moradores
quando há paradas no abastecimento. "Quando isso ocorre, há uma
programação e aviso prévio às regiões", diz a nota.
Fonte: Diário do Nordeste
