Deslizamento de terra ocorreu em uma mina de Coltan na cidade de Rubaya
O
número de mortos em um deslizamento de terra ocorrido em uma mina de
coltan na cidade de Rubaya, na República Democrática do Congo, subiu de
45 para mais de 200, segundo confirmaram neste sábado (31) um líder da
sociedade civil e autoridades rebeldes locais. O desabamento ocorreu na
última quinta-feira (29) na mina situada no território de Masisi, na
província de Kivu do Norte, após chuvas.
–
O que aconteceu aqui em Rubaya após as chuvas de quinta-feira é
realmente terrível. O número de corpos continua aumentando. Ontem
[sexta, 30], recuperamos 45 corpos dos poços, mas, desde esta manhã,
temos mais de 200, a maioria deles mineradores artesanais – relatou à
Agência EFE, por telefone, Telesphore Nitendike, presidente da sociedade
civil de Masisi.
Entre
os mortos, além dos mineradores, estão comerciantes que trabalhavam na
área, dominada pelos rebeldes do poderoso grupo Movimento 23 de Março
(M23), que também controla a mina onde ocorreu o desastre.
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Pequenos comerciantes que operavam na zona mineradora e vários
pedestres em diferentes trechos de estrada foram arrastados pelo
deslizamento de terra, que desembocou nos rios Mumba e Rushog – detalhou
Nitendike.
As
chuvas frequentes na região tornaram o solo cada vez mais frágil, sendo
os poços de mineração os mais propensos a desabamentos, segundo o líder
da sociedade civil. Em declarações à EFE nesta sexta, Nitendike
lamentou que os moradores não contem com equipes de resgate adequadas
para recuperar os corpos enterrados na lama.
– A população local busca seus próprios mortos diante da falta de assistência. São obrigados a valer-se por si mesmos – afirmou.
Lumumba
Kambere Muyisa, porta-voz do governador de Kivu do Norte nomeado pelo
M23, também confirmou os fatos e a cifra de mais de 200 mortos à
imprensa local. O conflito no leste congolês se agravou no final de
janeiro de 2025, quando o M23 tomou o controle de Goma, capital de Kivu
do Norte; e, semanas depois, de Bukavu, capital da vizinha Kivu do Sul,
após combates com o Exército congolês.
Ambas
as províncias são ricas em minerais como o coltan, fundamental para a
indústria tecnológica na fabricação de telefones celulares. Os acidentes
de mineração são frequentes no país, onde muitas minas são exploradas
de maneira artesanal, sem seguir as regulamentações e medidas de
segurança necessárias, além de, em muitos casos, serem operadas por
grupos armados.
Desde
1998, o leste da República Democrática do Congo vive um conflito
alimentado por grupos rebeldes e pelo Exército, apesar do destacamento
da missão de paz da ONU.
*EFE
