Total de visualizações

!!

!!

Casos de raiva em morcegos preocupam no Ceará; saiba cuidados e prevenção

Fortaleza registrou 11 casos de raiva em morcegos neste ano; especialistas alertam para atendimento imediato após contato com animais suspeitos

 

Casos de raiva em morcegos preocupam no Ceará; saiba cuidados e prevenção
A recomendação é que morcegos encontrados caídos, feridos ou com comportamento diferente não sejam manipulados. Foto: Reprodução / TV Cidade Fortaleza.

 

O registro de 11 casos de raiva em morcegos em Fortaleza entre janeiro e maio deste ano levou equipes de saúde a reforçarem o alerta sobre os riscos da doença e a importância do atendimento imediato após contato com animais suspeitos. A orientação é procurar uma unidade de saúde rapidamente em casos de mordidas, arranhões ou contato com saliva de mamíferos potencialmente infectados.

Os morcegos contaminados foram encontrados nos bairros Serrinha, Vila União, Itaoca, Bom Jardim e Parque Manibura. A preocupação das autoridades ocorre porque a raiva é considerada uma doença viral grave, com letalidade próxima de 100% nos casos sem tratamento adequado.

Leia também: Anvisa determina recolhimento de coco ralado por excesso de enxofre

Além de cães e gatos, animais silvestres como morcegos, saguis, raposas, guaxinins, cachorro-do-mato e gato-do-mato também podem transmitir a doença.

Jovem demorou 13 dias para procurar atendimento

A blogueira Elainy Martins contou que acordou durante a madrugada com o braço sangrando e percebeu um morcego voando dentro do quarto. Mesmo suspeitando da mordida, ela demorou quase duas semanas para procurar ajuda médica.

“Quando eu fui no banheiro, eu vi que meu braço estava sangrando, duas marquinhas estavam sangrando, sabe? E aí eu vi um morcego. Aí eu pensei: o morcego me mordeu. Só que de primeira eu não quis acreditar que isso tinha acontecido. Procurei um médico, mas só depois de 13 dias. Eles brigaram comigo, porque ficaram preocupados porque disseram que dava doença da raiva, e aí que eu me preocupei mais também. Aí eu tomei o soro e a antirrábica”, relatou à equipe de reportagem da TV Cidade Fortaleza.

Raiva é considerada uma das doenças mais letais

A infectologista Liliane Granjeiro destacou a gravidade da doença e explicou que os casos de sobrevivência são extremamente raros.

“A raiva é uma doença letal que mata em quase 100% dos casos. Se você pegar a literatura mundial, só tem descrição de três casos de pacientes que sobreviveram, e com muita sequela”, afirmou.

Segundo especialistas, a transmissão pode ocorrer por mordidas, arranhões ou contato com saliva de animais contaminados.

A recomendação é que morcegos encontrados caídos, feridos ou com comportamento diferente não sejam manipulados. Nesses casos, a orientação é acionar o Centro de Zoonoses.

Saiba o que fazer após mordidas e arranhões

Especialistas orientam que a primeira medida após qualquer acidente envolvendo animais suspeitos é lavar imediatamente o local com água e sabão.

“Em caso de ser mordida, a primeira coisa que ele tem que fazer é lavar com água e sabão, de preferência por 15 minutos. Isso já vai ter uma relevância muito grande. E como é considerado acidente grave, você tem que procurar o centro de referência para fazer as quatro doses do soro e a dose da imunoglobulina”, explicou Liliane Granjeiro.

O atendimento antirrábico humano é realizado nas Unidades Básicas de Saúde. Após avaliação médica, os profissionais definem se haverá necessidade de vacina, soro antirrábico ou imunoglobulina.

O infectologista do Hospital São José, Luis Arthur Brasil, explicou que nem todos os casos exigem aplicação do soro antirrábico.

Segundo ele, quando o acidente envolve cachorro ou gato saudável, o animal deve permanecer em observação durante dez dias. O soro é indicado apenas se o animal adoecer, fugir, desaparecer ou morrer nesse período.

Já em situações envolvendo animais silvestres, o protocolo é mais rigoroso devido ao risco elevado de transmissão.

Vacinação de cães e gatos continua sendo fundamental

As equipes de saúde também reforçam a importância da vacinação de animais domésticos, principalmente porque cães podem entrar em contato com morcegos infectados.

“Principalmente cachorro. Caçam muito morcego. E aí, se o seu pet, mesmo ele estando vacinado, ele chegou com o animal na boca, a gente tem que se preocupar e levar ele pro veterinário pra atualizar a vacinação”, alertou Liliane Granjeiro.

De acordo com a Secretaria da Saúde do Estado, vacinas e soros antirrábicos são distribuídos mensalmente para os 184 municípios cearenses, conforme solicitação e registros realizados nos sistemas oficiais.

As autoridades reforçam que qualquer suspeita de contato com animais potencialmente infectados deve ser tratada como situação de risco e não deve ter o atendimento adiado.

Autoridades alertam sobre contato com morcegos

A assessora técnica do setor de Vigilância da Raiva, Társsila Mara, explicou que cães e gatos podem ser infectados após contato com morcegos doentes encontrados em residências. “Quando eles [animais infectados] adoecem, eles ficam caídos na residência. E quando eles caem, uma vez caídos, cão e gato vão lá e pegam esses animais, né? Com hábito de caça ou de brincar. E essa é a questão do nosso risco. É por aí que nós temos que se preocupar com a vacinação.”

As autoridades orientam que a população não tente capturar morcegos ou outros animais silvestres. A recomendação vale principalmente para situações em que os animais estejam caídos ou apresentem comportamento fora do padrão.

Cães e gatos que tiverem contato com morcegos também devem ser avaliados por médicos-veterinários e acompanhados pelas Unidades de Vigilância em Zoonoses (UVZ).

Onde vacinar cães e gatos em Fortaleza

A Prefeitura informou que a vacina antirrábica está disponível durante todo o ano nas unidades de Vigilância em Zoonoses.

Segundo Társsila Mara, a sede da UVZ Fortaleza funciona na Rua Betel, 2980, no bairro Maraponga. “Trazer em uma das unidades de vigilância de zoonoses. Aqui na rua Betel, 2980, na Maraponga, é a sede da UVZ Fortaleza. Mas também nós temos mais outros locais que também têm esse controle, essa vigilância de zoonoses, com vacina disponível o ano todo.”

As autoridades de saúde reforçam que a vacinação regular de cães e gatos continua sendo a principal medida para prevenir novos casos da doença na capital.

 

(Portal GCMais)