Perícia apontou que morte de Marlene Albuquerque de Oliveira foi causada por asfixia mecânica; segundo a Polícia Civil, suspeito confessou o crime após ser investigado

O suplente de vereador de Cascavel, Cleilson Ferreira do Nascimento, de 46 anos, foi preso preventivamente suspeito de feminicídio contra a companheira, Marlene Albuquerque de Oliveira, também de 46 anos. A prisão ocorreu na quinta-feira (3), após a investigação da Polícia Civil do Ceará apontar que a morte da mulher, inicialmente apresentada como suicídio, era incompatível com a hipótese de enforcamento voluntário.
Segundo a Polícia Civil, o crime aconteceu no dia 26 de julho, em Cascavel, na Região Metropolitana de Fortaleza. Na ocasião, Cleilson acionou as autoridades e informou que a companheira havia cometido suicídio.
No decorrer da investigação, porém, exames periciais e outros elementos reunidos pelos investigadores apontaram inconsistências na versão inicial. O laudo cadavérico concluiu que Marlene morreu em decorrência de asfixia mecânica provocada por constrição cervical.
A partir dos elementos levantados, Cleilson passou a ser investigado como suspeito de ter provocado a morte da companheira. De acordo com a Polícia Civil, durante depoimento posterior, ele confessou a autoria do crime.
Perícia descartou hipótese de suicídio
A versão apresentada inicialmente às autoridades foi de que Marlene teria tirado a própria vida por enforcamento. No entanto, a hipótese não foi sustentada pelos elementos periciais obtidos durante a investigação.
Conforme a Polícia Civil, os exames realizados apontaram circunstâncias incompatíveis com um enforcamento voluntário. O laudo cadavérico também estabeleceu como causa da morte a asfixia mecânica provocada por constrição cervical.
Com a mudança no rumo da investigação, o caso passou a ser tratado como suspeita de feminicídio. A Polícia Civil afirma que, diante dos elementos reunidos, Cleilson foi formalmente investigado pela morte da companheira.
Na unidade policial, segundo a corporação, o homem admitiu ter cometido o crime.
A prisão preventiva foi determinada pela 1ª Vara da Comarca de Cascavel e cumprida por policiais da 1ª Delegacia de Polícia Civil de Cascavel. Depois da captura, Cleilson foi colocado à disposição do Poder Judiciário.
Suspeito é suplente de vereador em Cascavel
Além de ser investigado pelo feminicídio, Cleilson Ferreira do Nascimento tem atuação na política local. Ele disputou uma vaga na Câmara Municipal de Cascavel nas eleições de 2024 e terminou o pleito como suplente.
Na eleição, Cleilson utilizou o nome de urna “Kekeu do Mucura” e concorreu pelo União Brasil. Ele recebeu 535 votos.
O homem também ocupa um cargo na administração municipal. Segundo as informações divulgadas sobre o caso, Cleilson trabalha como coordenador de logística na Secretaria Municipal de Educação de Cascavel.
A condição de servidor público e suplente de vereador foi mencionada no contexto da prisão, mas a investigação conduzida pela Polícia Civil está relacionada especificamente à morte da companheira.
Prefeitura diz que abriu procedimento administrativo
Após tomar conhecimento da prisão, a Prefeitura de Cascavel informou que instaurou um procedimento administrativo para apurar a situação envolvendo o servidor.
Em nota, o município afirmou que só tomou conhecimento do caso após a decretação da prisão preventiva, justificando que o processo tramitava sob segredo de Justiça.
“Tão logo tomamos ciência do caso, instauramos um procedimento administrativo para apurar, em paralelo, a conduta do servidor”, informou a Prefeitura.
O município também declarou que está à disposição das autoridades para colaborar com a investigação e com o processo judicial.
“A prefeitura também se coloca à disposição da Justiça para colaborar com o trabalho investigativo e judicial”, acrescentou o comunicado.
A administração municipal afirmou ainda repudiar qualquer forma de violência e disse que adotará medidas para impedir situações semelhantes.
Caso aconteceu em julho
A morte de Marlene ocorreu na madrugada de 26 de julho, em Cascavel. Inicialmente, as autoridades foram acionadas diante da informação de que a mulher teria cometido suicídio.
A investigação, contudo, avançou a partir da análise dos vestígios e dos exames realizados após a morte. A perícia encontrou elementos que não correspondiam à hipótese apresentada inicialmente.
O laudo cadavérico teve papel central na mudança da linha investigativa ao apontar que a vítima morreu por asfixia mecânica provocada por constrição cervical.
Com a nova interpretação dos fatos, Cleilson passou a ser considerado suspeito de ter provocado a morte da companheira. Segundo a Polícia Civil, ele posteriormente confessou o crime durante depoimento.
A investigação que resultou na prisão preventiva foi conduzida pela Delegacia de Polícia Civil de Cascavel, responsável pela apuração do caso.
Prisão preventiva foi cumprida nessa quinta-feira (3)
A prisão ocorreu na tarde de quinta-feira (3). O mandado foi expedido pela 1ª Vara da Comarca de Cascavel no âmbito da investigação por feminicídio.
A medida é preventiva, ou seja, não representa uma condenação definitiva. Cleilson permanece preso enquanto o caso segue sob análise do Poder Judiciário.
Após o cumprimento do mandado, ele foi encaminhado para os procedimentos legais e ficou à disposição da Justiça.
A prisão ocorreu antes da audiência de custódia realizada nesta sexta-feira (4), no 7º Núcleo de Custódia e das Garantias, em Maracanaú. Ao fim da audiência, conforme as informações do caso, a prisão foi mantida.
Investigação aponta mudança na versão
Um dos pontos centrais da investigação é a mudança entre a primeira versão apresentada pelo suspeito e os elementos posteriormente encontrados pela Polícia Civil.
Inicialmente, a ocorrência foi comunicada às autoridades como suicídio. A perícia, porém, apontou que as circunstâncias da morte não eram compatíveis com um enforcamento voluntário.
A partir dessa constatação, os investigadores passaram a considerar a possibilidade de que a morte tivesse sido provocada por outra pessoa. Cleilson então passou a ser investigado e, de acordo com a Polícia Civil, confessou a autoria.
A sequência dos acontecimentos foi determinante para que a investigação deixasse de considerar o caso como uma possível morte autoprovocada e avançasse para a apuração de feminicídio.
(Portal GCMais)