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Foto: Arquivo Pessoal. |
Uma funcionária de uma escola estadual da Zona Leste de São Paulo registrou boletim de ocorrência após ter sido agredida pela mãe de um aluno dentro da unidade de ensino na última quinta-feira (15). A agressão foi feita na frente de duas crianças e presenciada pela diretora.
Ao g1, Marielene Cipriano contou que trabalha desde 2009 na Escola Estadual Engenheiro Octávio Marcondes Ferraz como agente de organização escolar. A escola atende apenas Ensino Fundamental I, do 1º ao 5º ano.
Diariamente, ela faz a saída de todos
os alunos às 17h50 e fecha o portão às 18h. Na última quinta (15), dia
da agressão, dois alunos ainda esperavam pelos pais e, como já eram 18h,
a funcionária os levou à secretaria para que aguardassem na direção.
"Quando
a mãe de um dos alunos chegou, ela lembrou de uma situação de 10 dias
atrás. O filho dela, que tem 8 anos, tinha sido levado para a diretoria
por problema disciplinar com outro aluno. Ela estava muito alterada, já
veio com dedo apontando na minha direção, [dizendo] que eu não podia
falar com o filho dela e começou com xingamentos. Quando decidi me
retirar, fui surpreendida por ela me agredindo. Foi muito rápido",
conta.
A funcionária diz que não teve reação e a primeira coisa que pensou foi em chamar a polícia.
"Meus óculos caíram quando ela bateu, e
eu não tive reação no momento. Não revidei. Falei que ia chamar a
polícia e foi isso que fiz. Fui para o hospital fazer curativos e depois
para a delegacia registrar boletim de ocorrência. Já a mãe foi embora e
não apareceu mais. Nem o filho dela foi mais à escola."
Marilene
relata também que o sentimento é de humilhação e revolta. Desde o
ocorrido, ela pegou licença de 10 dias e não retornou ao trabalho.
"Nunca
pensei que aconteceria comigo. Já tentei apartar briga, mas nunca houve
comigo. Já presenciei violência entre as crianças, mas eu sempre tento
melhorar o ambiente com a paz, conversa. Para mim, foi uma violência
profunda. Não consigo nem descrever bem. Mesmo que fisicamente não foi
nada tão grave, mas a parte emocional, de lembrar que passei por isso em
um ambiente por harmonia, na frente de duas crianças, é mais difícil.
Me senti humilhada."
"O Brasil vem atravessando um mar
sombrio em que tentam transformar o servidor público em inimigo número
um da população e não temos forças sozinhos para dar um basta nisso."
Em
nota, a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (Seduc-SP)
afirmou que repudia todo e qualquer ato de violência, dentro ou fora das
escolas.
"A
pasta se solidariza com a funcionária, que se encontra em licença
médica. Foi registrado boletim de ocorrência e os responsáveis pelos
alunos envolvidos foram chamados para uma reunião de mediação".
"O
programa Psicólogos na Educação está à disposição dos profissionais e
alunos da escola. O caso foi inserido na Placon, plataforma do
Conviva-SP, que é usada para registrar todas as ocorrências escolares. A
Diretoria de Ensino e a escola seguem à disposição para
esclarecimentos", finaliza a nota.
Fonte: G1